Querem transformar a EN2, a maior estrada do país, numa “Route 66 portuguesa”

São 738,5 km de extensão, entre Chaves e Faro.

Há uns meses, discutia-se nas redes sociais a criação de um “Central Park português” no antigo espaço da Feira Popular de Lisboa, em Entrecampos. Existia, aliás, uma petição para levar a ideia à Câmara Municipal. Quem apoiou, na altura, esta iniciativa apenas se esqueceu que, ali mesmo ao lado do terreno de 4,5 hectares da antiga Feira, já existia uma zona verde de cerca de 11 hectares chamado Jardim do Campo Grande – muitas vezes quase vazio.

Agora a ideia é criar a “Route 66 portuguesa”. Mais uma nomenclatura norte-americana para, neste caso, redefinir a Estrada Nacional nº 2 (ou EN2). Com 738,5 km de extensão, esta é a maior estrada do país. Liga Chaves a Faro, nesta ordem porque o quilómetro 0 pertence à cidade nortenha.

A diferença entre o “Central Park português” e a “Route 66 portuguesa” é que, neste último caso, a ideia é boa: transformar a EN2 numa rota turística que liga Portugal de lés a lés, atravessando quatro serras, 11 rios e várias localidades e pontos de interesse.

O processo encontra-se em fase de formação da associação dos 32 municípios por onde passa a estrada e propõe-se criar um rota turística, indicando os lugares e atractivos a visitar e desfrutar ao longo do trajecto. Marcelo Rebelo de Sousa foi convidado, esta semana, a apadrinhar o projecto, no concelho impulsionador do mesmo: Santa Marta de Penaguião.

O Presidente da República aplaudiu a iniciativa e vincou que é preciso haver mais turismo, que o turismo não estraga a terra, valoriza terra, seja o turismo gastronómico, religioso, cultural, ou do vinho. As vias de comunicação, como a EN2, são consideradas fundamentais para Marcelo.

A Estrada Nacional Nº 2 é uma “estrada histórica, que junta a Estrada Real 5, 7, 8 e 17 e que em 1945 deu origem, no primeiro Plano Rodoviário Nacional à EN2”, como lembrou António Ramalho, presidente da Infraestruturas de Portugal, numa cerimónia no final do mês de Maio, em Faro, para assinalar os 71 anos da via. É também “a maior estrada histórica da Europa. No fundo, só comparável com a Route 66 dos EUA ou com a Route 40 da Argentina”, segundo o responsável, em declarações à imprensa regional“Tem a particularidade de não ser uma via litoral, nem raiana. Corta o país pelo centro, ao meio, e por isso gera uma oportunidade única para uma rota turística.”

A concretizar-se o projecto turístico na sua totalidade, a “Route 66 portuguesa” vai ligar várias regiões de Portugal, tão diversas entre si, promovendo as paisagens, a gastronomia e os costumes de cada zona. Agora é só deixar de chamar-lhe “Route 66 portuguesa” e tratá-la pelo nome: EN2.

Foto: Flickr

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  • Jornalista, adepto de cidades humanas e curioso por ideias que melhorem o país. Co-fundei o Shifter em 2013, sou desde 2020 coordenador do projecto editorial Lisboa Para Pessoas.

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