TNW Conference: a nova aventura de Peter Sunde

Chama-se Flattr Plus e, segundo o co-fundador do Pirate Bay, é uma boa alternativa à publicidade display.

O co-fundador do The Pirate Bay, um site que se tornou um ícone da livre partilha de conteúdos, passou pela TNW Conference, em Amesterdão, para apresentar a sua nova aventura: o Flattr Plus.

Em 2010, Peter Sunde juntou-se a Linus Olsson (?) para criar o Flattr, um sistema de micropagamentos que continua activo e que te permite, ao visitar um qualquer site, deixar uma pequena doação ao autor clicando no botão “Flattr This”. O dono do site tem apenas de configurar esse botão na sua plataforma, através de um simples código HTML. A ideia é dar aos criadores uma forma de receberem pelo conteúdo que disponibilizam online – seja um vídeo de YouTube ou um post num blogue –, de uma maneira que seja coerente com o comportamento das pessoas na net.

Uma vez registado no Flattr como utilizador, adicionas dinheiro à tua conta e defines um budget mensal, explica o site do serviço. Durante o mês, fazes “flattr” a criadores clicando num botão ao lado do seu conteúdo. No final do mês, o teu dinheiro é divido entre as coisas que “flattraste” e enviado para os respectivos criadores. Com uma conta Flattr podes tanto dar como receber dinheiro, dependendo do papel que desempenhas em cada momento. Por exemplo, podes ser um programador que disponibiliza software open-source e que, no seu consumo diário de Internet, apoia os conteúdos que vê.

“Acreditamos numa Internet livre e aberta. Queremos que as pessoas valorizem o que obtém da Internet e que apoiem os criadores monetaria e voluntariamente, e ajudem-nos a criar mais coisas incríveis”, lê-se no site do Flattr.

Numa sessão privada para jornalistas na TNW Conference, Peter Sunde anunciou o Flattr Plus como a aposta seguinte da sua equipa e simultaneamente uma evolução do conceito inicial. O Flattr Plus remove um atrito que existe do lado do utilizador: a decisão de clicar ou não no botão.

O Flattr Plus é uma extensão para Chrome que vai registar o conteúdo com o qual interages e a forma como interages, simplificando os pagamentos aos criadores. Dependendo do scroll que fazes num artigo ou se clicas ou não num vídeo, por exemplo, mais ou menos o respectivo autor vai receber. Enquanto utilizador, defines um budget mensal que queres gastar. O algoritmo do Flattr Plus vai analisar a tua actividade e guardá-la; no final do mês, a extensão divide o teu budget pelos vários criadores, não tens de te preocupar com nada.

Aliás, é esta automatação o factor diferenciador central do Flattr Plus. É hands-off, isto é, não obriga a clicar num botão e definir os detalhes do pagamento para cada site. Acontece de forma automática, enquanto navegas. No Flattr Plus, as contas são feitas unicamente no final; quer isso dizer que a qualquer momento podes editar os pagamentos que vais fazer aos vários criadores de conteúdo, “acumulados” no teu histórico.

Uma publicação que queira implementar o Flattr Plus só tens de se registar na plataforma e de seguir os passos de configuração.

Na apresentação em Amesterdão, Peter Sunde posicionou o Flattr Plus como uma alternativa viável aos anúncios display como forma de os criadores web receberem pelo conteúdo que criam.

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  • Jornalista, adepto de cidades humanas e curioso por ideias que melhorem o país. Co-fundei o Shifter em 2013, sou desde 2020 coordenador do projecto editorial Lisboa Para Pessoas.

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