NOS Primavera Sound 2016 – dia 1


Isto sim é uma boa primeira semana de férias. Música todos os dias. Eu sou da Caparica, mas ainda prefiro isto a praia a semana toda. Começar no Tivoli com uma dose de magia do Kamasi, seguir para o Primavera e acabar na Mouraria a dançar de bifana na mão, no Santo António. Tudo em altas. Mas vamos ao Primavera Sound, que é para isso que estamos aqui.

Esta foi a minha primeira vez. Foi preciso chegar à 5ª edição do festival para lá meter os pés. E, para mim, este esteve longe de ser o melhor cartaz. Aquele ano do Nick Cave ainda me está aqui atravessado. E o do Kendrick, dos GY!BE, dos Darkside… Estúpido. Agora olha, é chorar uma beca e aproveitar este, que coisinhas boas também não lhe faltaram.

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O Primavera Sound tem sempre nomes bacanos. Tens ali oportunidades de ver coisas que muito provavelmente não vais voltar a ter. (Nick Cave, caga no acabei de escrever. Tu volta, homem.) O facto de ser uma extensão dos catalães, com tours perto do radar e parceiros como a Pitchfork, ajuda imenso. E depois estes meninos constroem muito bem o line-up. Tens de tudo. Gigantes da música, promessas, bandas com discos top do ano anterior e muitas carcaças. Daquelas que ja andavas a querer riscar da lista há muito tempo. Depois tens aquele abuso de recinto. Malta do Paredes de Coura a organizar, vocês sabem.

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Depois de 3h em modo “carrismo” (o que eu e um amigo gostamos de chamar a um belo passeio de carro) a sentir The Doors, chegámos à invicta. Com algumas horas até começar o som nas Virtudes, tive de ir checkar o meu dealer de cd’s de Mars Volta. Obrigado Tubitek, é sempre um prazer dar cabo do nosso orçamento. Nas Virtudes estava tudo certo. Muita gente, sol, gente gira e uma banda sonora pré-primavera a acompanhar a vista incrível. Só não vi Holy Nothing que havia uma chave do Airbnb para levantar.

Chegou o primeiro dia de recinto. O momento que em vês aquela entrada pintas, vais tirar aquela foto que vai bater likes no Instagram e percebes que o teu iPhone foi dar uma volta de táxi pela invicta. Nem ele, nem o Freddie Gibbs voltaram a dar notícias. Mas na boa, havia Animal Collective e jolas à borla na press para esquecer.

Mas antes vieram os Sensible Soccers. Sentar na relva, limpa (copos reutilizáveis a render), e ouvir as melodias pop do segundo LP Villa Soledade. Ainda não lhe tinha dado a devida atenção, e merece. O disco 8 foi dos melhores de 2014 em Portugal, e este parece andar no mesmo caminho – aqueles arranjos em progressão…

Depois foi começar a rebolar na relva do palco Super Bock ao NOS. Começaram as US Girls, que na verdade é mais a US Girls. A malta ainda estava meio morta mas aquela miúda tem presença. A Meghan Remy faz a banda e ainda desafiou as artroses do Parque da Cidade. A música nem é uma cena que eu adore. Mas lá para o fim entra um gajo de guitarra, sem percebermos bem porquê, e ela acaba num acto quase teatral a, literalmente, varrer o palco em flores. Giro.

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Rebola para Wild Nothing e o cenário estava composto. Por acaso nem é uma cena que me diga muito mas tinhas muita gente para os ver. A banda mistura uma série de influências: indie pop, dream e ate shoegaze. No último disco, Life of Pause, a coisa até apareceu com mais ritmo mas não pegou. Live até curti. Para mim, foi daquelas que chega a um ponto e já chega, mas o público sentiu.

Agora a coisa ia começar a aquecer. Então amigos, há que recuperar forças com sandes do Guedes. O noise rock experimental dos Deerhunter ainda bateu nos primeiros discos, depois perdi o rasto. Passei só os olhos pelo palco, que depois vinha a minha Julia Holter.

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Eu e vozes de mulheres temos uma cena – já deu para perceber que vai ser um bom Primavera. Ainda cabiam aqui uma Chelsea Wolfe ou uma Marissa Nadler.  Mas a compositora de Los Angeles já me tinha agarrado em estúdio e em palco não falhou. A artpop do Have You In My Wilderness é tão acessível que foi dos melhores discos de 2015. A Julia Holter é uma das vozes fundamentais da canção contemporânea e vivo é tão fofo. Quero-a de volta numa Aula Magna, por favor.

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Agora veio provavelmente o momento que tinha mais curiosidade. Sigur Rós foi uma banda que bateu há muito e que  larguei. Nunca tinha visto e em conjunto com os Air e Beach House (quem adoro em estúdio), eram as bandas com maior potencial de seca. Mas nada disso. Os islandeses fizeram sentir finalmente um concerto com power no festival. Sou gajo de post-rock e fui fácil atrás dos caminhos escuros da banda de Jón Thor Birgisson. Instalações com grades e jogos de luzes e projeções porreiras. Agora vou ter de ir checkar as coisas novas que soaram bem.

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Rebola para os anos 90. Os Parquet Courts são uma das banda responsáveis pelo revival que se anda a ouvir por aí a par, talvez, dos Metz. O som de garagem está de volta e cheio no Palco Super Bock. Para muitos foi um dos concertos do festival, para mim não tanto. Eu curti, atenção. Nem a chuva me tirou a curiosidade mas houve momentos que achei aquilo demasiado igual.

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Começar a furar, que os Animal Collective estavam a chegar e eu já andava para os ver ao vivo há alguma tempo. Podia ter sido frito demais. E foi. Que jarda. Talvez um pouco longo, mas foi melhor do que estava à espera. Pode ter sido o que bebi e o que fumei, mas aquilo chegou a ser pesado em alguns momentos. Estes gajos viraram a cena pop e electrónica ao contrário com experiências em caminhos marados. Só senti falta de alguns singles do Merriweather Post Pavilion e do Strawberry Jam. Ya, a “My Girls”.

Agora é recuperar pernas para amanhã, que com mais um palco a coisa muda de figura. Desculpa John Talabot, até curto a tua cena mas 4h da manhã não vai dar.

Fotos de: Nuno Diogo/Shifter

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