Definir superioridade nos prados marketeiros do “bovinismo” social


Num tempo de vacas magras, é fácil ser bovarista. Há cada vez mais vacas e cada vez menos ração a servir de enchimento. Que tédio. Onde estão as ideias? – melhor, onde está o senso comum? A norma é anormal e o universo de ilusões, chavões e regras é muito mais fácil de seguir do que o contrário.

Não obstante há cada vez mais pensadores, analistas, cientistas, filosófos e experimentalistas do social – metano a vulso. Mas há factos que estão escritos a papel –  a superioridade destes ‘cabecilhas’ cheira mal e está cravada em papel (higiénico).

O status quo:

  • Cada agência, cada equipa, cada cabeça está ocupada a pensar e desenvolver conteúdo – releguemos o seu teor qualitativo por ora – que acaba por chegar a uma camada ínfima de espetadores (eis o dilema do alcance: a corda que tenta atar a vaca mas que não a prende ao poiso). Se a máquina não para, há que oleá-la a quente e tapar os olhos para não cegar;
  • Perpendicularmente, segue-se a máxima da linha de montagem: produzem-se tweets, posts, vídeos, passatempos, ativações e gramas de instantes que apenas chegam a uma fatia minúscula da população ativa nas redes sociais que são “fãs” de X marca. Acredite-se, por conseguinte, que a repetição é amiga da memória.

No melhor dos cenários, cada uma destas atividades tem uma capacidade de influência reduzida na base de utilizadores potenciais. Mais do que falar de paid media, no sucesso da segmentação, campanhas always on, e dinheiro (mucho diñero), esta é uma breve dissertação entre a relação das vendas e o bulk dos fãs – uma métrica que ainda importa ao bom pastor que respeita a sua higiene.

Esta veio do Ad Contrarian, num bom exercício de cálculo. Imagine-se: a Coca-Cola tem cerca de 100 milhões de fãs no Facebook. Vendem 1.8 biliões de coca-colas por dia. A bem do idealismo, vamos acreditar que todos os users que seguem a Coca-Cola seriam ativos. Isto significa que se alcançassem todos os seus seguidores num qualquer dia, poderiam atingir 0.005% dos seus clientes (independentemente de tantas outras variáveis, que interessam).

Como sabeis, nem tudo na vida é de borla. Muito menos o Atlas azulão que estampa o “F” na cara das suas bezerras e adiciona um “U” logo de seguida. Organicamente, um post poderia alcançar cerca de 2% dos seus fãs. Portanto, se todos os seus fãs, num mundo sem algoritmos, estivessem no momento certo [online] a beber um cafezinho junto ao feed, o que poderiam esperar seria um alcance de 0.005% de clientes x 2% de alcance possível = 0.01%. Que pequenino – that’s what she said.

E se estimássemos que dos utilizadores alcançados, 10% interagissem – estimativa de mãos levadas aos céus – a capacidade de ‘influência’ bateria nos .0001. Um bom KPI para Coca-Cola Zero?

Como as vacas mijam, é fácil advogar o “liquid marketing”. Se pensássemos realmente, diariamente, naquilo que estamos a fazer todos os dias enquanto “profissionais de social media” muitos de nós mudaríamos de carreira: a procura por papel higiénico não para de subir.