Bright Pixel é a nova aventura do co-fundador do SAPO, Celso Martinho

Há um antes e depois do SAPO. Será que também vai existir um antes e depois da Bright Pixel? Ainda é cedo para sabermos.

Costuma dizer-se que, em Portugal, há uma Internet antes e outra depois do surgimento do SAPO em 1995. Será que também existirá um antes e depois da Bright Pixel? Certo é que Celso Martinho é um homem cheio de energia e que tudo aquilo em que mexe acaba por revolucionar um bocadinho o mundo.

A Bright Pixel é a nova aventura de Celso Martinho, depois de, no final de 2015, ter decidido abandonar o SAPO, e foi apresentada oficialmente na semana passada. Celso caracteriza a Bright Studio como uma company building studio – basicamente, é uma empresa para ajudar outras empresas, quer estas sejam apenas ideias ou nomes já sólidos do mercado.

No fundo, a Bright Pixel é uma incubadora interessada em áreas tão diversas como media, retalho e cibersegurança. Tem como braço direito a Sonae IM, que irá ajudar a equipa de Celso Martinho a colher ideias com potencial, investir nelas e lançá-las posteriormente no mercado. Esta incubação será interna, se essas ideias surgirem no seio da Bright Pixel, ou externa, passando a integrar o projecto. O objectivo é investir (no máximo de 250 mil euros) e fazer um mínimo de produto viável (MVP), que pode ser validado através de empresas do grupo Sonae.

As startups que resultarem desta incubação, isto é, os projectos que chegarem ao mercado, serão alvo de uma nova ronda de investimento – desta feita, até 500 mil euros. A Bright Pixel vai querer ficar com uma fatia minoritária das startups em que vai investir. Ao longo de todo o processo, a Bright Pixel vai ajudar com aquilo que sabe melhor: tecnologia e criatividade, numa lógica de consultoria.

Em paralelo, a Bright Pixel vai servir também de laboratório para grandes empresas, como a NOS e a Sonae, testarem novos conceitos que, de outra forma, não tinham oportunidade de colocar à prova. O rácio de falhanço até pode ser grande, mas essa não é uma preocupação da Bright Pixel aqui. O fulcral é mesmo saber se determinadas concepções são viáveis no mundo real antes de seguirem para incubação.

Na área de media, a Bright Pixel está a trabalhar em dois projectos com o Público. Um deles chama-se P24 e será uma forma de quem nem sempre está online ter as notícias que lhe interessam quando decide conectar-se. O outro dá pelo nome de Graf.ly e promete revolucionar a forma como os jornalistas e redacções lidam com o problema de gestão de conteúdos digitais.

“Simplesmente chegou uma altura em que, por um lado, fazia sentido haver uma mudança para mim e, por outro lado, deu-se um alinhamento quase cósmico, eu diria, em que se encontraram um conjunto de pessoas importantes nas áreas de criatividade, tecnologia e investimento que partilhavam duas coisas em comum que são basilares ao modelo que nós construímos”, disse Celso Martinho aos jornalistas, citado pelo site Future Behind. “Essas duas coisas são: mudar a forma como as empresas se relacionam com a inovação hoje em dia, que é um problema. As grandes empresas não têm a velocidade necessária – e não digo isto com sentido prejurativo, é simplesmente um facto – para fazer mudanças drásticas culturais, tecnológicas ou ligadas com inovação. Portanto nós podemos ajudar. Por outro lado, mudar também a forma como as novas startups aparecem porque quando uma startup nasce tem muito risco e tem muitos desafio.”

A prova de que a Bright Pixel “bebe” um pouco do espírito do SAPO está principalmente no hacking. Na sua sede, no número 19 da Rua da Emenda, em Lisboa, vai funcionar uma sala dedicada aos “makers e à fabricação digital”, com um “hacker in house”, conforme explicou Celso Martinho. Simultaneamente a Bright Pixel vai reactivar um dos maiores eventos de tecnologia em Portugal – o Codebits regressa este ano (Outubro) como Pixels Camp.

A Bright Pixel (BRPX, na versão curta) tem 16 pessoas na equipa fundadora, entre especialistas em desenvolvimento de IT e designers, com largos anos de experiência em tecnologia web e mobile, ciber-segurança, big data, bem como em aplicações críticas de larga escala para media e tecnologia. À semelhança de Celso Martinho, alguns dos membros da Bright Pixel provém do SAPO.