Vai ser este o último ano do Rio Tua? Depende também de ti


O Último Ano do Tua é a mais recente campanha da Plataforma Salvar o Tua. São pequenos documentários que desafiam o espectador a pensar o impacto da construção da barragem no rio Tua. Protagonizados por aqueles que vivem o rio transmontano, é impossível ficar-se indiferente a cada um dos vídeos.

A barragem de Foz Tua está a ser construída no rio Tua, afluente da margem direita do rio Douro. As obras começaram em 2011 e têm conclusão prevista para o final de 2016, com o enchimento da barragem. Desde o início da construção que este projecto da EDP tem estado envolvido em controvérsia. Não só pelo número de mortes que têm ocorrido no estaleiro, mas sobretudo pelo impacto ambiental que a obra vai representar na região do Alto Douro Vinhateiro, património mundial reconhecido pela UNESCO. Apesar desta agência internacional considerar que a construção da barragem não põe em causa a manutenção da região onde se encontra como património mundial, a Plataforma Salvar o Tua não vai baixar os braços.

“A barragem não nos vai trazer nada”, diz Pedro Duarte, um dos protagonistas de O Último Ano do Tua. Com ele concordam aqueles que, ao longo dos anos, se têm oposto à construção da parede de cimento que vai transformar para sempre o vale do Tua. Não se trata somente da paisagem, que passará a ser dominada por um enorme lago, mas de todo um ecossistema. Dessa unidade fazem parte centenas de hectares agrícolas, onde é produzida parte da uva que está na base de alguns vinhos nacionais de excelência, um dos melhores sítios para a prática de desportos radicais e ainda uma das últimas linhas ferroviárias de montanha do país, encerrada para dar lugar à construção da barragem.

Para além do fim definitivo da maioria destas potencialidades, tamanha intervenção artificial no território trará outros riscos. Embora difíceis de prever com precisão, casos semelhantes fazem adivinhar a redução da biodiversidade, assim como alterações significativas no clima graças à massa de água permanente resultante da albufeira.

Mas para quê? É a questão que naturalmente colocamos quando confrontados com este cenário. Qual o possível ganho energético para o país que justifique tudo quanto está a ser destruído e posto em causa para o futuro? A resposta pode ser revoltante: 0,6% da eletricidade produzida actualmente em Portugal. Segundo os dados mais recentes, quando concluída, a barragem de Foz Tua vai representar 0,6% da produção nacional de eletricidade. Não está em causa que questões como a independência energética e a transição para fontes renováveis sejam tópicos da maior relevância para o futuro do país e nos quais Portugal tem desempenhado um papel exemplar. Por outro lado, não é a natureza igualmente da maior relevância, sobretudo quando esta pode ser rentabilizada através da sua preservação e não destruição?

A questão permanece no ar, agora mais do que nunca devido à campanha O Último Ano do Tua e à alta qualidade da sua realização. Vale a pena tudo quanto vamos retirar às futuras gerações para assegurarmos mais 0,6% de produção energética?

Podes fazer chegar o teu desagrado à UNESCO através do formulário disponibilizado pela Plataforma Salvar o Tua aqui.

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