Uma sexta-feira santa


Num dos aniversários da morte de Jesus, numa timeline que se digna aos 2000 anos, recebi um briefing.

Como tantos outros espezinhados pelos romanos do social, este briefing era uma lança sem pingo de gume. Havia dois objetos no dito briefing: um prémio associado a um evento desportivo – poderia ser um apedrejamento olímpico em homenagem às ironias, mas não. Tinha a ver com bola. O outro objeto de estudo: um aumento de seguidores numa página com uma demografia assaz selectiva. E, como sabeis, não há seguidores sem profeta. 

A solução: um agregado estratégico que envergonha as reuniões imperiais na marcha contra o nazareno. Eu gosto de brainstormings, aprende-se muito – ouvindo. Sobre o ser humano, em redes de decisão – com todos os thumbs up (calculados) –, e o ranting do inglório troll que comenta mas não quer partilhar.

Como na mitologia cristã – doutrina, perdão! – não há trolls, falou-se. Coisas certas, coisas erradas, mandamentos e puritanismo ideológico. No marketing, penso que se deva ouvir. Como outros escutam a palavra de deus, neste castelo das realidades o meio é divino. “Deixa ouvir e deixa aprender”, o crente-marketeiro crê.  No fundo, o target (do palco à plateia) e o contexto são muito importantes. Sejam eles uma cruz ou não para a ordem dos dias.

Inspirado pelo desovar pascoal, há ideias que nascem como pintos. Meia-hora de estudo da bíblia das palavras que ali se proferiram, e processam-se relações. As linhas que reúnem os pontos, como dois outros profetas politeístas me ensinaram nos anos de marketing – dessa vez ouvi, camaradas.

O copy resolve necessidades. “Tenho sede”, disse Jesus. E conhecendo as chagas da produção de uma ideia, com toda a força que elas têm, as palavras escreveram-se e do sacrifício a recompensa eterna.

Segundo problema: quando matar um briefing não cria um culto de seguidores no palco – nem na plateia. Mas hoje é feriado, que se dane.

Segunda solução: o copywriting aumenta as necessidades – e expectativas e novas reuniões romanas. Sejam como Pilatos e, por consciência profissional, libertem os presos, nem que seja uma vez por ano em ode à Páscoa (Mateus 27.15-23). Um salesman deve vender qualquer coisa senão morre e já não ressuscita.

Segunda vida: resulta que defino o copywriting como a arte de vender um produto ou serviço, já contando com os seus fecundos 2016 anos de idade. Acredito, no entanto, que este engenho não seja assim tão verdinho – mas, verde ou não, há palavras que erguem impérios.

O exercício: no Domingo de Páscoa tentem não comer um ovo de chocolate. Não aceitem doces pelo palavreado de familiares e estranhos – e assim o copy morre em vão.

Zuckerberg, perdoai-os porque eles sabem o que fazem.