Porque muda a hora?


Porque muda a hora? Todos os anos é a mesma história. No último domingo de cada Março, os relógios adiantam uma hora. Ou seja, quando os ponteiros chegam à 1 da manhã, passam imediatamente para as 2 da manhã. Basicamente, é o início da hora de Verão, em que o Sol só se põe lá pelas 20/21 horas.

A mudança de hora não é algo que acontece apenas em Portugal, mas sim em toda a Europa. Deve-se a uma directiva da União Europeia que determina que os estados-membros devem entrar na hora de Verão no último domingo de Março e adoptar a hora de Inverno no último domingo de Outubro, independentemente do fuso horário em que se encontrem.

porquemudancahora_02

Ora isso significa que, quando Portugal muda, Espanha e todos os outros também mudam, continuando a verificar-se as diferenças horárias entre os países dos três fusos horários que atravessam o continente europeu. Portugal tem o mesmo fuso horário da Grã-Bretanha e Irlanda, guiando-se pelo meridiano de Greenwich; a maioria dos países regulam-se pelo de Berlim, com um avanço de 60 minutos.

Porque muda a hora? Será apenas para poupar energia?

No final de Março, adiantamos os relógios uma hora. No último domingo de Outubro, atrasamos uma hora e, assim, temos o dia mais longo de sempre: 25 horas. É assim desde 1981. Porquê? Poupança de energia. O nome oficial é Daylight Saving Time (DST).

Apesar de o Daylight Saving Time ser uma directiva europeia desde esse ano, é também adoptado na grande parte da América do Norte e em algumas áreas do Médio Oriente; de fora desta norma ficam praticamente toda a África e a Ásia. Na América do Sul, há países como o Paraguai e o Brasil que também adoptaram o DST. Na Oceânia, o cenário é idêntico, com a Nova Zelândia e algumas regiões da Austrália, por exemplo, a mudar a hora duas vezes por ano.

Olhando para o mapa do mundo, percebemos, por um lado, que a maior parte do mundo não usa o DST e, por outro, que os países que adoptaram esta dualidade horária são os que mais afastados do Equador estão. Isto acontece porque quanto mais longe do Equador, maiores são as diferenças de luz do dia entre o Inverno e o Verão. No Equador, os dias e as noites têm praticamente a mesma duração (12 horas).

Assim, o Daylight Saving Time nasceu para que as pessoas pudessem fazer um melhor uso da luz do dia. Ao adiantar uma hora nos relógios no Verão, conseguimos aproveitar as horas pós-laborais para, por exemplo, estar numa esplanada ao sol a beber umas cervejas – ou seja, acabamos por gastar mais dinheiro. Dinheiro esse que poupamos em casa. George Hundson, o primeiro a propor o Daylight Saving Time, não pensou nisto; aliás, ele só queria mais tempo para coleccionar insectos.

Obrigado, alemães

Foi Benjamin Franklin, que pela primeira vez associou a mudança de hora às poupanças energéticas. Em 1984, publicou um artigo intitulado “Economical Project for Diminishing the Cost of Light” no Journal of Paris, dando conta da importância de mudar a hora com vista a poupança. Ao estar mais tempo fora no Verão, o uso de energia artificial diminuiria. Em 1907, um londrino chamado William Willett escreveu um panfleto a defender o ponto de vista de Franklin e propondo avançar os relógios 20 minutos nos 4 domingos de Abril e atrasá-los depois nos 4 domingos de Setembro.

porquemudancahora_03

Mas o agora denominado Daylight Savings Time só foi adoptado um pouco por todo o mundo por causa das grandes Guerras, quando poupar se tornou imperativo. Na I Guerra Mundial, a Alemanha foi a primeira a abraçar a ideia. Por isso, tens de agradecer aos alemães a hora de sono que perdeste esta manhã. Contudo, o império Austro-Húngaro, seguido do Reino Unido e da França, e mais tarde da Rússia, dos Estados Unidos e de outros países, acabaram por acompanhar a Alemanha.

porquemudancahora_04

Continua a fazer sentido?

A questão que se impõe actualmente é se o Daylight Savings Time continua a fazer sentido nos dias de hoje. Se pode aumentar o consumo em bares, esplanadas e outros locais que frequentemos nos finais de tarde, não é tão certo que tenha um impacto já tão positivo nos lares, onde proliferam equipamentos de ar condicionado, computadores e outros equipamentos electrónicos, que estão constantemente ligados. É igualmente notório que as mudanças de hora causam quebras de produtividade, principalmente quando são suprimidos 60 minutos num dia.

porquemudancahora_05

O vídeo em baixo, produzido pelo canal CGP Grey, é uma bela explicação visual do que é o Daylight Saving Time. É um excelente complemento de 6 minutos e meio a este artigo e ao vídeo do John Oliver a que te introduzimos anteriormente.

Previous Viajar entre Lisboa e Porto: comboio e autocarro poluem menos que avião
Next O Abril da RTP2 vai ser com cinema português