O Sketch é um must-have dos designers do século XXI (e foi co-criado por um português)


O Affinity não é a única alternativa ao Illustrator/Photoshop que podemos adoptar. A Bohemian Coding, uma empresa co-fundada pelo português Emanuel Sá, lançou em 2014 o Sketch, uma app de design vectorial que tem tido o conceituado reconhecimento da Apple e que é usada por inúmeras referências do mercado, do Facebook à IBM, e também a Google, o Twitter, a Sega, a Dropbox e, claro, a própria Apple.

O Sketch está disponível exclusivamente para Mac (ao contrário do Affinity, que brevemente terá versão Windows) e tem captado a atenção de designers e programadores. A app foi pensada para desenvolvimento de interfaces, experiência de utilização e criação de ícones. Em linguagem mais corrente, isto significa que quem desenhe apps vai preferir o Sketch, até porque este tem uma app de companhia para iOS que mostra em tempo real num iPhone/iPad o que estamos a desenhar no computador.

“Houve uma boa aceitação especialmente de outras empresas. O nosso primeiro cliente foi a Apple no que toca ao uso do Sketch em equipas, no design de uma grande empresa. Reconheceram logo a utilidade da aplicação e hoje até a própria Adobe usa a nossa aplicação para o software deles”, contou Emanuel Sá, ao SAPO, numa entrevista em Novembro de 2015. Emanuel fundou com o holandês Pieter Omvlee, em 2008, a Bohemian Coding, que desde então se tem focado no Sketch. A empresa tem hoje cerca de 15 pessoas, espalhadas pelo mundo.

“Foi bastante satisfatório ver que a Apple ao fim de 20 anos considerou o formato Sketch como um formato standard da indústria. Só o formato .psd da Adobe era considerado formato oficial para envio e receção de recursos. E já a partir do último verão que o Sketch é considerado standard pela Apple. E desde então por outras empresas como a Google”, acrescentou.

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O Sketch tem uma interface simples que ao mesmo tempo nos dá acesso à complexidade de ferramentas que estamos habituados a ver num Illustrator ou num Photoshop. Quem está habituado a trabalhar em Mac e especialmente com aplicações como o Keynote vai sentir-se em casa neste Sketch: uma toolbar no topo, o inspector à direita e a navegação nos vários layers à esquerda. “Sketch é feito para designers tu” é uma frase que podemos achar em destaque no site oficial da app e que faz todo o sentido.

Mas uma das principais diferenças do Sketch relativamente à concorrência é a quantidade e qualidade dos plug-ins que suporta e que estendem as funcionalidades base da aplicação. O InVision, por exemplo, permite-nos partilhar as nossas criações em tempo real com os colegas e os responsáveis pelo projecto. O Craft, desenvolvido pela mesma equipa do InVision, preenche automaticamente os nossos desenhos com texto, fotos, estilos e outros materiais, para que não tenhamos de perder tempo em pesquisas no Google. Existem outras extensões que podemos instalar no Sketch, como o Sketch Notebook para desenhar documentos e páginas web (wireframes), o CSSketch para modificar os designs mexendo com código CSS ou o Sketch Measure para termos tudo milimetricamente certinho.

O Sketch tem inúmeros pormenores que estão a captar a atenção de cada vez mais designers. Emanuel Sá revelou em Novembro, ao SAPO, que a aplicação tem cerca de 50 mil a 300 mil utilizadores diários, mas, se somar todos os utilizadores que a plataforma tem e já teve numa base menos regular, então “já passam uns bons milhões”.

“Aventuramo-nos numa área em que muito, muito pouca gente arrisca, porque existem empresas grandes como a Corel e como a Adobe. Éramos putos. Não tínhamos aquele medo típico de um adulto que programa e que desenvolve aplicações. Se calhar a nossa inocência ajudou. Acreditamos que era possível – e foi”, confessou o fundador português ao SAPO.

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Emanuel Sá e o parceiro Pieter Omvlee começaram o Sketch sozinhos. “A primeira vez que fomos convidados pela Apple para passar por lá [sede da empresa], eles falaram connosco sobre a aplicação, o que tínhamos planeado para o nosso futuro e sobre como é que podiam ajudar. Iam mandar os bilhetes de avião e perguntaram quantas pessoas queríamos levar para a Califórnia. Levamos duas pessoas”, comentou, em jeito de recordação. “A Apple depois disse muito seriamente ‘desculpem, queremos a equipa toda, não dissemos só os donos’. E nós: ‘exactamente, a equipa toda que são só os donos’. Mesmo sendo a Apple parecia-lhes irreal como é que conseguíamos fazer aquele trabalho.”

Muito feedback positivo o Sketch tem conquistado entre designers e programadores, sendo inclusive muito valorizado na equipa do Shifter. Em 2013, Jean-Marc Denis, um designer de produto da Google na área de realidade virtual, escreveu uma extensa análise ao Sketch no seu blogue. No ano seguinte, criou o SketchDesign.io, uma masterclass em vídeo com materiais, dicas e tutoriais relacionados com a aplicação. “Não temos interesse em substituir o Photoshop pois em fotografia e em 3D é uma ferramenta boa. Nunca foi uma ferramenta boa para interface e focamo-nos nisso”, confessou Emanuel Sá ao SAPO.

Mais que uma alternativa ao Illustrator e Photoshop, o Sketch é um software para designers do século XXI. Custa cerca de 100 euros. Existe uma versão de experimentação que podes descarregar aqui e que funciona a 100% durante 30 dias.