‘The Martian’

Interpretação perfeita de Matt Damon num filme que desilude por nos tentar agradar à força.

Do realizador que nos trouxe Alien e Blade Runner, dois dos mais míticos filmes do género sci-fi, só poderíamos esperar grandeza. No entanto, não foi bem isso que Ridley Scott nos trouxe. Apesar de melhor que PrometheusThe Martian é inferior aos seus contemporâneos Gravity e Interstellar.

The Martian tem alguns dos seus pontos fortes nos cenários das paisagens de Marte (de beleza assinalável a fotografia do filme), efeitos visuais e claro, a jornada de sobrevivência de Mark Watney, o botânico interpretado na perfeição por Matt Damon.

Watney tem na sua inteligência e optimismo as únicas coisas com que pode contar para aumentar as possibilidades de sobrevivência quando se vê abandonado em Marte. Sozinho, num planeta deserto, sem água e mantimentos suficientes para ficar vivo tempo suficiente até poder ser salvo, o botânico teve de meter todo o seu engenho a funcionar neste filme baseado no best seller de ficção científica escrito por Andy Weir.

O problema do filme está quando desce à Terra, seja para visitarmos a sede da NASA ou nos perdermos em politiquices desnecessárias à história. Jeff Daniels parece saído directamente das gravações da sequela de Dumb and Dumber e não se consegue fazer levar a sério como director da NASA enquanto ficamos a lamentar pelo pouco tempo de ecrã dado a Sean Bean e Chiwetel Ejiofor.

Com tantas estrelas no seu elenco, o filme não consegue disfarçar a sensação de que não as soube aproveitar. São ainda provas disso a galardoada Jessica Chastain e Kate Mara.

Com um terceiro acto apressado, que falha em criar qualquer tipo de emotividade no seu momento alto, junta-se ainda um final cliché a fazer lembrar uma sitcom americana dos anos 90. As pazes entre o realizador e Hollywood foram feitas, mas quanto ao filme nem mesmo um Matt Damon com uma merecida nomeação ao Óscar para Melhor Actor e os fantásticos cenários de Marte nos convencem em absoluto. The Martian tenta agradar da mesma forma com que nos tenta impingir piadas sobre disco music: à força.

Politicamente correcto (em demasia), o típico filme americanizado acaba a figurar na mesma lista de Melhores Filmes onde, no ano passado pelas mesmas razões, figurou American Sniper: a glorificação da nação americana. Ridley Scott piscou o olho e a Academia deixou-se seduzir. Quanto a nós, esperávamos ainda mais de Ridley Scott depois dos desastrosos Exodus: Gods and Kings e The Counselor.

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