Curta da realizadora portuguesa Leonor Teles vence Urso de Ouro em Berlim


A realizadora Leonor Teles venceu este sábado o Urso de Ouro da competição de curtas-metragens, do Festival Internacional de Cinema de Berlim, pelo filme Balada de um Batráquio.

A curta trata da discriminação contra membros de etnia cigana, em Portugal, e tenta combatê-la. O pequeno filme aborda a prática, comum em Portugal, do uso de sapos de cerâmica, por lojistas e proprietários de cafés e restaurantes, para evitarem a entrada nos seus estabelecimentos de membros da comunidade cigana, que tem várias superstições ligadas ao animal.

Leonor Teles, que tem raízes ciganas por parte do pai, diz que o filme “não apresenta só uma problemática, mas tenta, de certa forma, combatê-la”, uma vez que a própria realizadora sentiu a “urgência” de destruir vários desses sapos em frente à câmara.

“Achei que, neste filme, não podia estar simplesmente a apresentar uma problemática mas também tinha de tentar inserir um pouco daquilo que pode vir a ser a resposta em relação a este comportamento xenófobo”, explicou a realizadora, em declarações à Lusa, em Berlim, aquando da exibição da obra na secção competitiva.

A cineasta já se tinha centrado nos problemas da comunidade no seu primeiro filme, Rhoma Acans, e confessou que a impotência sentida na primeira película a inspirou a desenvolver uma nova abordagem.

“Havia esse sentimento de frustração em relação ao filme anterior, que tinha uma personagem a quem não consigo mudar a vida. E é ingénuo da minha parte achar que poderia fazer isso. Essa ideia de querer fazer alguma coisa, em vez de estar apenas a ilustrar, era tão forte, era uma urgência. Neste filme decidi: não vamos ficar com frustrações, vamos intervir, vamos partir a loiça toda!”, explicou a realizadora.

O filme concorria pelo Urso de Ouro na secção de curtas-metragens, com outras 24 películas, incluindo outra portuguesa, Freud und Friends, de Gabriel Abrantes.

A 66ª edição da Berlinale, que termina no domingo, contou com a presença de 8 filmes de produção portuguesa, 3 dos quais na competição oficial, incluindo a longa-metragem Cartas de Guerra, de Ivo Ferreira, inspirada na correspondência de António Lobo Antunes. Em 2012, João Salaviza foi igualmente distinguido com o Urso de Ouro de Berlim, pela curta-metragem Rafa.

Texto Shifter/Lusa