As start-ups de Silicon Valley podem não estão a criar tantos empregos quanto afirmam


Os políticos estado-unidenses adoram falar do poderio económico das empresas do Silicon Valley e da sua capacidade para criar emprego. Na Europa não temos Silicon Valley, mas os políticos também gostam de falar das start-ups tecnológicas e a sua capacidade na criação de postos de trabalho. Segundo alguns economistas, esta capacidade está a ser sobrestimada.

Sendo verdade de que as inovações tecnológicas criam novos empregos, eles serão sempre menos do que aqueles que desaparecem devido à eficiência ganha com plataformas cada vez mais autónomas.

O mesmo se aplica à chamada economia da partilha. A candidata presidencial estado-unidense Hillary Clinton fala das “magníficas oportunidades”, criadas por empresas como a Uber. Jeb Bush diz que estas empresas permitem que qualquer um possa “desenhar a sua carreira de sonhos”.

Mais uma vez a realidade não é tão cor-de-rosa. Apesar de certos estudos afirmarem que ser freelancer se está a tornar a forma de trabalho preferida dos americanos, o economista Lawrence Mishel, presidente do Economic Policy Institute, põe em causa esses dados. Aliás, um dos lugares-comuns é a afirmação de que osmillennials preferem mudar de trabalho de xis em xis tempo. Esta afirmação não corresponde de todo à realidade.

Existe, como sempre, um jogo de números que é usado conforme as conveniências. Se é verdade que existe muita gente que gosta da liberdade de serfreelancer, a grande maioria prefere ter um trabalho estável.

Texto de: Paulo Querido/Hoje
Foto: Flickr

Aprofundar

Economists Suggest Silicon Valley Startups Aren’t Really Creating Many Jobs (Noah Kulwin/Recode): Various economic studies indicate that technology startups — while increasing productivity and perhaps transforming the structure of our economy — don’t necessarily create all that many jobs.

Is The Freelance Economy Not Growing As Much As We Thought?  (Lydia Dishman/Fast Company): A study from the Economic Policy Institute shows that the numbers of freelancers might not be as big as we think.