A nova Playboy é SFW e “muito Snapchat”

É a modelo Sarah McDaniel que aparece na capa, como se estivesse a tirar uma selfie para o Snapchat.

Em Outubro do ano passado, a Playboy anunciou que deixaria de publicar fotos de mulheres totalmente nuas. A ideia só ganhou agora forma física: a primeira edição da nova Playboy vai chegar às bancas dos Estados Unidos na próxima quinta-feira e é uma tentativa de apelar a uma nova geração de leitores sem deixar para trás a história da revista.

A nudez continua na revista, mas de forma mais subtil, conforme conta o The New York Times, que teve acesso a uma cópia antecipada da revista. Os nus frontais que invadiam as páginas da publicação desde a sua fundação, em 1953, foram definitivamente postos de parte.

A Playboy quer modernizar a sua imagem e atrair leitores mais novos, consciente de que hoje em dia a Internet já lhes permite aceder a conteúdos bem mais explícitos. Assim, para além de baixar a classificação da revista para “PG-13” (maiores de 13 anos), inspirou-se no Snapchat, aplicação muito popular entre os adolescentes, para criar a primeira capa da “nova” Playboy.

É Sarah McDaniel que aparece na página zero da revista – uma modelo que tem heterocromia ocular (olhos de diferentes cores) e que viu crescer a sua fama depois de as fotos que partilhava no Instagram terem sido destacadas em vários sites. Sarah está em “modo Snapchat”, como que tirando uma foto numa perspectiva ousada. Este formato de selfies, que também podemos encontrar no interior da revista, procura aproximar o leitor das fotos, fazendo-o querer que as mesmas foram tiradas para ele – o sentimento é o mesmo no Snapchat.

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A nova Playboy explora todo o conceito de naturalidade e de “fotografia de telemóvel”, e também por isso os retoques de Photoshop são nulos ou raros. A nova estética é mais crua, menos preparada, mais real.

A renovada revista mantém alguma da herança jornalística, e nesta edição inclui uma entrevista longa com uma apresentadora da MSNBC, Rachel Maddow, e um ensaio do escritor norueguês Karl Ove Knausgård. As páginas centrais são ocupadas por Dree Hemingway, uma tetraneta de Ernest Hemingay, em que a jovem esconde as partes mais íntimas com as duas mãos.

No final do dia, esta é uma Playboy “safe for work” (SFW). A empresa explica que, quando há um ano e meio, relançou o seu website para ser seguro para aceder durante o horário de trabalho, o tráfego aumentou 400% e a idade dos leitores desceu de 47 para 30 anos.

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  • Jornalista, adepto de cidades humanas e curioso por ideias que melhorem o país. Co-fundei o Shifter em 2013, sou desde 2020 coordenador do projecto editorial Lisboa Para Pessoas.

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