Peter Sunde: “A Internet hoje em dia é uma merda. Está corrompida”


“A Internet hoje em dia é uma merda. Está corrompida. Provavelmente sempre esteve, mas agora está mais do que nunca.”

A Motherboard entrevistou o sueco Peter Sunde, um dos fundadores do The Pirate Bay. O site de partilha de conteúdos foi estrela no despontar da era do download. Hoje, os proxys são as máscaras de oxigénio que o ajudam a perpetuar uma ideia que revolucionou a indústria multimédia. Os tribunais acumulam queixas e o The Pirate Bay, acumula intimações e ordens de fecho.

Joost Mollen, o jornalista da Motherboard, escreve que a conversa “não começou optimista” mas a verdade é que também não acabou nesse espírito. A cultura do download não tem caminho aberto para continuar da mesma maneira que começou. Um pouco por todo o lado, os obstáculos criados aos sites de partilha de conteúdos são cada vez mais e mais eficazes. Em Portugal, o ano de 2015 foi frutífero no bloqueio de sites, no surgimento de outros tantos e, por consequência, no seu igual bloqueio. O Demonii desapareceu, o Popcorn Time desapareceu e o nosso “Netflix”, mais caseiro e menos legal também (leia-se, Wareztuga).

Há claramente uma linha a dividir os intervenientes desta guerra e sobre o seu desfecho, Sunde não tem dúvidas: “Já perdemos.”

Nas respostas às perguntas de Mollen identificamos facilmente um pessimista que declara a Internet como perdida e deposita as culpas numa distópica sociedade capitalista que transferiu as suas bases para o mundo digital. Aí, declarou guerra a uma coisa que Sunde considera não mais existir: uma internet aberta e livre.

“Nunca se viu esta quantidade de centralização, desigualdade extrema, capitalismo extremo em qualquer outro sistema. Mas de acordo com o marketing feito por pessoas como o Mark Zuckerberg e empresas como a Google, é tudo para ajudar a liberdade na Internet e para espalhar a democracia e por aí fora. Ao mesmo tempo, eles são monopólios capitalistas. É como confiar no inimigo para fazer as boas acções. É bizarro.” 

Sunde considera também que existe um conformismo face ao estado de coisas e que a “invisibilidade” dos problemas ajuda a manter tudo como está:

“Tu não vês ninguém a espiar-te, tu não vês quando alguma coisa é censurada, tu não vês quando alguém apaga qualquer coisa dos resultados de pesquisa do Google. Eu acho que o maior problema é chamar à atenção das pessoas. Tu não vês os problemas e assim as pessoas não se sentem ligadas a eles.”

O pessimismo do sueco fica bem patente quando é questionado acerca de uma solução. A Motherboard pergunta “o que é que as pessoas podem fazer para mudar isto?” E Peter responde: “Nada. Acho que chegámos a esse ponto.”

Há, no entanto, que compreender uma coisa. Sunde considera que esta é uma batalha perdida que não condiciona a vitória da guerra. Para que essa se vença, o sueco traça o caminho:

“Bem, eu acho que para ganhar a guerra precisamos de perceber sobre o que é que é a luta e para mim é claro que estamos a lidar com uma coisa ideológica: o capitalismo extremo que comanda, o lobismo extremo que comanda e a centralização do poder. A internet é apenas uma parte de um puzzle maior.”

O co-fundador do The Pirate Bay acredita que precisamos de conhecer o caos para nos consciencializarmos acerca dos perigos a que estamos sujeitos e, por isso, continua dizendo que “a tecnologia vai fornecer-nos robôs que vão ficar com todos os empregos o que vai causar desemprego massivo a nível mundial; qualquer coisa como 60%. As pessoas vão ficar tão infelizes. E isso seria óptimo porque aí poderíamos finalmente ver o capitalismo a desintegrar-se.”

Para terminar, aponta ao problema maior: “Temos de reparar a sociedade antes de reparar a Internet.”

Uma entrevista que podes ler na íntegra aqui.

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