Níveis alarmantes de poluição na China. Soluções precisam-se

China enfrenta grave crise ecológica.

No início deste mês, e após a sensibilização para os problemas ambientais promovida pela cimeira de Paris, a China declarou pela primeira vez estado de alerta vermelho face ao fumo (o chamado smog) que aparentemente se intensificou em Pequim.

No comunicado oficial do governo foram impostas medidas como o fecho de escolas, a interrupção de obras em espaços exteriores, ou limitações ao trânsito. “Veículos de escavações, camiões de cimento, veículos de transporte de gravilha e outros veículos de grande porte estão proibidos de circular nas estradas”, pode ser lido em comunicado.

Confrontados com esta realidade, são várias as estratégias encontradas pelos habitantes das metrópoles chinesas no combate aos efeitos nefastos da poluição.

Uma das soluções empregues por aqueles que têm recursos para tal implica a compra de filtros, quer de água, quer de ar, com o propósito de isolar as suas casas e carros do ambiente poluído do exterior.

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Outra estratégia passa pela utilização de canhões de micropartículas de água. A água, emitida para o ar em gotas tão pequenas que chegam aos 10 micrómetros, combina-se com partículas poluentes, provocando a sua precipitação e limpando eficazmente o ar das partículas de maiores dimensões. Infelizmente o sistema é ineficaz contra partículas mais pequenas, nomeadamente as inferiores a 2,5 micrómetros que são também as mais prejudiciais para a saúde.

Contudo, a mais insólita tendência, fruto do desespero da população chinesa, é a compra de ar puro engarrafado importado do Canadá.

A startup Vitality Air vende ar canadense desde 2014, originalmente através do eBay, em sacos de 99 cêntimos por unidade. Segundo um dos fundadores, o produto nunca foi concebido para fins relacionados com saúde, mas sim como algo engraçado. Apesar de originalmente não ter muito sucesso, já que se vendiam apenas três ou quatro unidades por mês.

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A situação na China veio providenciar um novo mercado para este produto, cujo preço disparou para os 32 dólares por unidade, agora embalado em garrafas. A procura aumentou quando foi dado o alerta vermelho, levando à ruptura de stock das 500 unidades disponíveis na altura. A startup já tem mais 4000 unidades disponíveis mas que prevê não ser suficiente para dar resposta à procura.

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  • O Pedro Almeida é redactor de ciência do Shifter. Completou recentemente um mestrado integrado em Engenharia Física pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

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