Mike Bek: quem é ele e porque importa ir esta quinta ao Musicbox


Estamos no jardim de um hostel no meio de Lisboa, onde, em 2013, Mike Bek deu o primeiro concerto com a sua própria música. Podíamos ter feito todas as perguntas por e-mail ou por telefone, mas a essência perdia-se. E é essa essência que diferencia um simples role de perguntas e respostas do que é conhecer realmente Mike Bek. Desde o início até hoje.

Começou por tocar EDM em festas e a passar música para agradar a quem o ouvia, mas cedo percebeu que preferia mostrar o que lhe interessava, mesmo que ninguém gostasse. “Tornei-me mais egocêntrico. Cansei-me de tocar para agradar o público e comecei a produzir no meu computador, entre os estudos.” E esta vontade de produzir coincidiu com um dos concertos de James Blake em Portugal. “Foi uma lufada de ar fresco, descobri que queria seguir caminhos semelhantes e correspondeu à mesma altura em que comecei a produzir. Comecei a explorar sonoridades mais intimistas, mais obscuras, como também a desenvolver e produzir novas ideias.” Mas não foi feito de forma inocente. João soube aproveitar o hype para abrir caminho e atingir as pessoas que pretendia. Hoje em dia não tem uma influência específica, mas “retalhos de vários tipos de música”.

Não foi só a nível sonoro que Mike Bek se distanciou do que foi e do que é hoje, contando que “deixou de ser um hobbie e passou a ser o meu trabalho. Comecei a produzir todos os dias. A trabalhar com diferentes pessoas em diferentes géneros”. Juntou-se a Bruno Mota, da Gallantry, que se tornou uma das pessoas com quem mais aprendeu. Na verdade, Bruno Mota foi a pessoa que mais fez e viu crescer o produtor, mas não foi o único. Colaborações com Tio Rex, D’Alva e Ghost Wavvves, abriram horizontes e criaram formas de desenvolver a criatividade artística. E é de colaborações que vive em grande parte a carreira de Mike Bek, enquanto produtor de Gallantry e enquanto músico a solo.

“Todas as colaborações são diferentes, todos têm formas diferentes para chegar aos mesmos objectivos. É uma forma de desenvolver a tua criatividade e explorar coisas novas que vais aprendendo com outras pessoas. Acaba sempre por ser muito importante. Tanto a minha carreira como o meu trabalho em Gallantry acaba por ser muito isso”, conta.

Sleepless Nights, o primeiro EP, foi a descoberta de uma sonoridade própria inspirada nos artistas que já referimos, numa onda mais post-dubstep e o som Garage, característico do Reino Unido. Legacy, o segundo EP, foi o crescer como músico no panorama mainstream. Utilizou mais voz e uma produção mais pensada e trabalhada de forma a atingir mais público. O objectivo foi alcançado. Tocou no Vodafone Mexefest em 2014 e passou a ter mais músicas na rádio.

Oversight é o retorno às origens e a um som mais minimalista numa abordagem mais clubbing, mas com maior bagagem. Uma maturidade que só conseguiu após tudo o que fez. “Uma electrónica mais obscura e mais direccionada para DJs. É voltar a fechar-me em frente ao meu computador a fazer a minha música. É mais individualista. No fundo, Oversight passa muito pelas sensações que transmite. É fechar os olhos e seguir viagem de forma a conseguir escapar a tudo o que fiz durante o dia. Não conta uma história mas todas as músicas foram feitas para estar na mesma sala. E foi pensado para colocar todas as pessoas nessa mesma sala.”

No dia 3 de Dezembro, Mike Bek sobe a palco para apresentar Oversight sob o mote do 9º aniversário do Musicbox, em Lisboa. No palco, passarão ainda Ghost Wavvves, V i L e Photonz, que têm presença assídua no EP do produtor. “Vai ser giro ver o que conseguem fazer num formato diferente, vê-los com a minha música e o que fazem com ela”, diz. A expectativa é para ver a reacção do público aos diferentes géneros de música que marcarão a noite.

É o medo de estagnar que faz com que todos os EPs, e todos os concertos, sejam diferentes: “Não considero interessante alguém descobrir a pólvora e usá-la da mesma forma.”

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Texto de: João Padinha
Editado por: Mário Rui André