BadBadNotGood & Ghostface Killah – ‘Sour Soul’


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Lançado em Fevereiro deste ano, Sour Soul foi um dos discos que marcou 2015 pela positiva. Este é o resultado da junção entre Ghostface Killah – lendário rapper e integrante do também lendário grupo Wu-tang Clan – e o colectivo BadBadNotGood. O resultado foi este, um disco que te vai fazer sentar e relaxar, enquanto absorves uma mistura de hip-hop com jazz bastante refrescante.

Quem são os BADBADNOTGOOD? Pois bem, para esta receita é só preciso juntar três jovens do Canadá, Matthew Tavares (teclado/sintetizador), Alexander Sowinski (bateria) e Chester Hansen (baixo e contrabaixo), acrescenta-se uma pitada de formação em música jazz e voilà! Temos um trio jovial que abraça constantemente o desafio de revolucionar o panorama musical de forma irreverente.

Sim, porque estes jovens têm idades compreendidas entre os 19 e os 21 anos, mas demonstram nesta receita uma capacidade incrível de manusear um género (jazz) cuja complexidade não está ao alcance de qualquer um. Tendo já feito várias colaborações, destaca-se a que realizaram com Tyler, The Creator. Este, que se tem afirmado como um dos rappers mais irreverentes, juntou-se ao trio para um conjunto de improvisos e, acima de tudo, um tempo bem passado.

Por outro lado temos Ghostface Killah, de seu nome Dennis Coles, membro dos Wu-tang Clan, que tem deixado o seu legado no mundo do hip-hop, tanto no seu colectivo como a solo. Apesar dos seus 45 anos, não perdeu a agilidade que tinha como jovem nos anos 90. É de facto um artista que dispensa apresentações e assim o demonstrou em Sour Soul.

Vamos então ao álbum. Gravado pela Lex Records, e produzido por Frank Duke, mostra claramente que a produção é um dos pontos essenciais na sua construção. Duke fez um trabalho fantástico no que lhe coube. Deu bastante atenção aos detalhes, produziu um som muito limpo e fluído, o que fez com que este não fosse apenas mais um álbum de hip-hop, mas sim um hino ao que este género deve ser.

Já os BADBADNOTGOOD deixaram muito a desejar nesta colaboração. Ainda assim, são claramente o ponto forte de Sour Soul e sem eles o LP não teria qualquer relevância. Mas nota-se alguma falta de expressividade, aquela a que nos têm acostumado, principalmente porque se sente a falta do trovejar do baterista, Alexander Sowinski.

Ele que tem o bom costume de marcar ritmos alucinantes a uma velocidade furiosa, mas que ainda assim ficou muito contido nestes 30 minutos de música. Por um lado é compreensível, há que haver alguma submissão visto estarem a tocar hip-hop, contudo, para um ávido apreciador de BBNG, seria expectável ver alguma maluqueira a passar na cabeça destes rapazes! Não deixa de ser um bom álbum, onde as letras não são o destaque principal – demonstra até que Ghostface Killah não colocou grande empenho neste sector – tendo-se focado na colaboração em si, na oportunidade de trabalhar com o trio e de ter alguma diversão no meio de músicas com uma tonalidade algo pesada, mas bastante suave ao mesmo tempo.

Destaca-se também a participação de Danny Brown, ele que não é um rapper impressionante, mas que em “Six Degrees” transpõe uma boa qualidade no seu ramo, e claro, uma voz engraçada e muito viciante. Temos também “Gunshowers“, com a participação de Elzhi e acompanhado de uns tons de guitarra meio arrastados como se falássemos de blues. Em “Ray Gun” entra DOOM, com a sua voz grave e algo sombria tal como o seu nome indica.

Não é de todo um disco impressionante. Mas agrada por não se limitar ao género gangster, por pintar as vibrações sonoras de cores noturnas. Bom para quem gosta de estudar com uma música relaxante, ou então para quem quer ficar sentado na varanda a fumar um cigarro e a beber um café, enquanto contempla os pensamentos desenhados num céu estrelado de uma bela noite de verão.

Texto de: João Carvalho
Editado por: Tiago Neto

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