O terror de Paris na voz dos Eagles of Death Metal

Sexta-feira, 13 de Novembro de 2015, ficou marcada pelos atentados em Paris e os artistas da banda Eagles of Death Metal foram apenas umas das muitas pessoas que viveram o terror e o medo que se impôs na cidade.

Naquela noite, actuavam na mítica sala de concertos do Bataclan, quando três terroristas do auto-proclamado Estado Islâmico começaram a disparar, sobre vidas inocentes. Quiseram impor o silêncio de forma violenta, mas foi daí que nasceu uma nova luta. E a banda norte-americana promete que vai voltar ao Bataclan. Para celebrar a vida.

“Queremos ser a primeira banda a voltar ao Bataclan depois da sua reabertura. Afinal de contas eramos nós que lá estávamos quando se fez silêncio.”

Esta é a primeira entrevista dada pela banda ao fundador da VICE, Shane Smith e é nela que é enfatizado o heroísmo de todos aqueles que viveram esta experiência. “Muitos morreram para salvar os amigos.”

Todos os elementos da banda contam nesta conversa intimista os seus medos, a maneira como se esconderam, o que sentiram, o que pensaram. Jesse Hughes, vocalista e co-fundador dos EODM, é um dos artistas que mais evidencia o seu choque e perturbação face aos acontecimentos daquela noite. Na altura, procurou a sua namorada, também presente no Bataclan, com dezenas de pessoas atrás de si que tentavam igualmente encontrar uma saída.

O responsável pelo som do concerto encontrava-se no fim da sala, já perto das portas e conta emocionado que aquele estava ser um concerto bonito: “O sorriso no rosto dos miúdos era evidente. Quando ouvi os barulhos achei que eram petardos e só mais tarde percebi que eram dois atiradores atrás de mim, a disparar de forma completamente aleatória. As pessoas começaram automaticamente a correr para o meu espaço, eu continuei de pé. Tentaram-me matar mas falharam. Entendi que só podíamos fugir nos momentos em que eles recarregassem as armas… Havia sangue por todo o lado.”

Josh Homme, vocalista dos Queens of the Stone Age e também fundador da banda, estava no seu estúdio e foi a primeira pessoa “lá fora” a saber de toda esta situação através de uma mensagem.

89 pessoas morreram nesta noite, uma delas foi Nick Alexander, responsável pelo merchandising da banda. Para nós será sempre impossível entender estes comportamentos. Fica a certeza que a música não vai morrer.

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