Itália quer utilizar a cultura como força contra terroristas


Numa era em que os estados erguem defesas armadas contra o Estado Islâmico, a Itália faz all in na sua política cultural com propostas inovadoras no combate ao terrorismo.

Na casa dos mais notáveis artistas da história da humanidade, como Da Vinci ou Boticcelli, o governo italiano, agora liderado por Matteo Renzi, vai propor ao parlamento um investimento de 2 mil milhões de euros no combate ao terrorismo. Este valor será igualmente repartido entre medidas de defesa nacional e medidas culturais. Para Renzi, as ameaças que hoje pairam sobre o ocidente têm por base um paradigma de antagonismo cultural.

“Destroem as estátuas, nós amamos a arte. Destroem os livros, nós estamos no país das bibliotecas. Não mudaremos nunca o nosso modo de vida, eles render-se-ão primeiro”, disse durante o evento Itália, Europa: Uma Resposta ao Terror nos Museus Capitolinos em Roma.

Destes mil milhões destinados à cultura, 275 milhões vão ser alocados para a criação de cartões culturais com plafonds de 500 euros que serão distribuídos pelos italianos que acabaram de atingir a maioridade. Os cartões vão poder ser utilizados em museus e espectáculos culturais para que a cultura se volte a enraizar no povo italiano enquanto uma das suas maiores valências. Uma outra parcela de 50 milhões será investida em bolsas de estudo. Matteo Renzi disse que “quem merece estudar não pode ser impedido por questões de rendimentos” e considera que também isto é uma resposta ao terrorismo.

Os mil milhões que restam serão investidos em defesa e segurança e serão repartidos pelas áreas da ciber-segurança e por projectos de requalificação urbana destinados a zonas periféricas mais desfavorecidas.

Texto de: André Cabral
Editado por: Rita Pinto