Quem tem apostas para o Nobel da Literatura 2015?


O Nobel é o prémio literário mais cobiçado do mundo e o rótulo mais grandioso que pode ser dado a homens que passam grande parte da sua vida sentados, sozinhos, à secretária.

Um dos prémios que causa mais burburinho no mundo da literatura, este é o que tem força suficiente para encontrar canais de distribuição e chegar às livrarias de todo o mundo. As honras são tremendas e incontáveis para autores que vão passar a ser referenciados como “o vencedor do Nobel.” No frenesim de nomes apontados, de eternos candidatos e de surpreendentes apostas, também decidimos compor a nossa lista de possíveis vencedores do prémio.

Primeiro que tudo, um esclarecimento, alguns destes nomes são só uma aposta minha, e cuja vitória amanhã me faria dizer “ah!”, alguns são repetidamente referidos, outros são nomes com boas probabilidades nos sites de apostas (sim, há quem faça apostas em vencedores do nobel).

Aqui vão alguns dos nomes mais prováveis de se tornarem vencedores:

 

Haruki Murakami

Um dos escritores que aparece referenciado praticamente todos os anos. Os seus livros, assim como a abordagem que tem vindo a desenvolver em termos de prosa, são uma sólida aposta para merecer um prémio global. É também nesse patamar internacional que já está sua fama, o que nunca sabemos se é um adversário à conquista da distinção ou não.

Ngugi Wa Thiong’o

Um grande nome da escrita africana, um continente que já venceu por diversas vezes o prémio, tem do seu lado uma interpretação satírica da política africana. Reflecte sobre a corrupção e acrescenta um toque de realismo mágico às suas histórias e à forma como nos envolve nelas. O resultado são as diversas possibilidades, às vezes loucas ou encantadas, do que África poderia ser. Será que isso é suficiente para levar o Nobel? Para Chinua Achebe não foi.

Renata Adler

Depois de um hype tremendo que a levou de esquecida em Nova Iorque para nome que toda a gente quer entrevista, Renata Adler também se perfila para vencer o Nobel. Ou, pelo menos, é o que se diz pela big apple onde o mundo editorial quer ter sempre o maior destaque. O seu livro Speedboat regressou em grande estilo e as suas novas edições podem merecer a atenção da academia sueca.

Philip Roth

Apesar de ter desistido da escrita, não deve ter desistido de ganhar o Nobel. Afinal, Philip Roth nunca deve ter descansado de lhe faltar a maior das honras literárias. Deve ser uma espera muito mais inquietante quando já se ganhou tudo o resto que havia para ganhar. O escritor d’O Complexo de Portnoy pode ser recompensado pela forma apurada como descreve a vida judia, mas a forma brutal como o faz também o pode afastar do prémio.

Adonis

O poeta sírio é um candidato ao Nobel pela poesia que abriu ao mundo que não fala árabe, tanto as possibilidades desta poesia, como a sua mentalidade moderna. A possibilidade de lermos uma obra como Mihyar of Damascus: His Songs é um grande evento para qualquer fã de world literature e ele é o poeta árabe que pode muito bem arrecadar o Nobel.

Jon Fosse

Um afogamento é recontado através das gerações numa das mais poderosas obras de Jon Fosse, Aliss at The Fire. O peso que a história tem em cada um dos humanos, a força que é a família e a tragédia que é esta colisão pode dar ao norueguês um dos prémios mais desejados da literatura. Seria um prémio justo pelo quanto as suas obras iluminam o mais escuro das nossas mentes.

Thomas Pynchon

O escritor e o mito. Thomas Pynchon pode ter voltado à baila com a publicação do seu mais recente título Bleeding Edge, mas nunca ninguém se esqueceu da sua história. Antigo engenheiro naval que ganha o National Book Award e súbito desaparecido com um corpo de trabalho incrível sobre a paranóia. Todos os anos é referenciado, mas ser o meu escritor favorito seria suficiente para estar nesta lista.

John Banville

As obras de Jon Banville nunca são o que parecem e isso sempre pareceu ser um forte critério para vencer o Nobel. A cumplicidade caprichosa e a forma como esta se torna cruel desenrolam-se nas suas histórias e geralmente agarram o leitor – ainda mais quando a prosa nos prende. É a sua escrita forense e o seu humor negro que dão tanto mérito a este escritor irlandês.

Karl Ove Knausgaard

A minha luta é um dos maiores fenómenos literários dos últimos tempos e a atenção que toda a comunidade literária parece prestar a Karl Ove Knausgaard parecem dar-lhe boas hipóteses. Os seus temas épicos, com uma prosa humana, mas crescente, também parecem agradar à academia sueca. Será nova demais para esta distinção?

 

E para acabar, assim como para mostrar que escolher este prémio não é assim tão fácil:

Não vamos escolher Svetlana Aleksijevitj porque achamos sobranceiramente que o comité do Nobel não vai atribuir a distinção a uma escritora associada ao regime russo e patrocinada pela academia de Putin. Todos os vencedores russos do Nobel já estavam expatriados, apesar de Svetlana ser bielorussa. Ainda assim é uma forte concorrente. Também deixamos de fora Yevgeniy Yevtushenko, apesar das suas visões da Rússia actual lhe puderem trazer esta honra. O poeta Naruddin Farah, exilado da Somália, também é uma forte aposta deste ponto de vista político. E já ter ganho o prémio Neustadt é mais um indicador. Bob Dylan parece ter-se tornado um fenómeno nas casas de apostas, mas não o vamos levar a sério. Pelos livros que escreveram e tantos fãs que cultivam, Joyce Carol Oates Joan Didion seriam justas vencedoras da distinção. Uma hipótese mais longínqua seria Jonathan Franzen, mais um prejudicado pela pouca cotação dos americanos nesta contenda.

Com tanta consideração e burburinho, quem será o vencedor?