Isaura e Francis Dale: duas promessas da música juntas em concerto


Quando duas promessas da música se encontram, ficamos à espera da sua concretização. E é isso que todos queremos do espetáculo de dia 15 de Outubro no Lux, o primeiro de uma série de datas dos dois jovens músicos, Isaura e Francis Dale, em conjunto. Porquê tanto fascínio? Porque não é habitual dois artistas interagirem desta forma, nem quando o seu trabalho tem tudo para dar certo.

Isaura e Francis Dale vão dar-nos um concerto singular e nós, curiosos, tivemos algumas perguntas para fazer, com muita curiosidade e antecipação. Se Francis Dale mistura o clássico e o contemporâneo nas suas composições, Isaura oferece uma mistura entre electrónica e pop, que Francis também oferece, e com composições sempre avant-garde.

Procurámos saber mais sobre os processos destes dois músicos, sobre o ponto de união entre os projectos e sobre o amadurecimento que um concerto destes exige para soar perfeitinho aos ouvidos de todos. Temos a certeza que esta mistura pode (e vai) dar um belo cocktail, mas como foi que se descobriram?

 

Para além da harmonia presente nos vossos temas, qual é o ponto de união entre os dois projectos? 

FRANCIS DALE – Penso que ambos estamos a beneficiar de um saudável ambiente que rodeia a criação artística nacional pelo que partilhamos um desejo e desígnio de perpetuar o excelente trabalho que os diversos actores desta indústria têm feito. No essencial, isto resume-se a tentar fazer “boa” música.

Como é que esta união aconteceu? Foi um processo natural ou uma decisão espontânea?

FRANCIS DALE – Foi um processo natural que teve uma cuidada maturação. A motivação primordial foi por pensarmos poder ser uma forma de ajudar ambos os projectos a chegarem a mais pessoas.

ISAURA – Esta união existe porque o Fred Ferreira existe. O Fred trabalhou o projecto Francis Dale e quando a “Useless” foi lançada para o cosmos, o Fred foi um dos primeiros a abordar-me e a interessar-se por saber quem é a Isaura e que projecto é este. Meses mais tarde, o Fred sugeriu que nos uníssemos pela diferença: porque os nossos trabalhos, ainda que tão distintos um do outro, pertencem a um tipo de sonoridade que, de alguma forma, faz sentido coexistirem no mesmo espaço. Acabámos por ouvir o trabalho um do outro e perceber que fazia todo o sentido partilharmos o palco, os nossos trabalhos e o público que nos acompanha.

O que é que podemos esperar dos concertos? E o que é que vos entusiasma neles? 

FRANCIS DALE – Estou bastante entusiasmado por poder partilhar o palco com pessoas que admiro e principalmente por merecer a sua confiança. Estes concertos demarcam-se das nossas actuações a título individual no sentido em que as músicas vão ser tocadas por todos sendo, portanto, uma extensão pontual daquilo que são os nossos discos, mas executados numa “electrónica em tempo real”.

ISAURA – Estes concertos são a possibilidade de viver duas realidades num só momento. Cada um tem o seu trabalho e sinto que há, sem sombra de dúvidas, um paralelismo; como se as histórias tivessem duas versões. A energia do Diogo é muito diferente da minha, a forma de estar também, a forma de compor idem. Mas há ali uma sensibilidade e um querer fazer que nascem no mesmo lugar: na verdade com que se quer fazer canções e com que se as quer partilhar com o público. Acho que quem vai ver Isaura vai gostar de ver Francis Dale e quem vai ver Francis Dale talvez encontre um novo aconchego em Isaura.

Foto: Maria Rita/Shifter/Press