Como os videojogos podem substituir as secantes sessões de fisioterapia


Cosmin Miahiu tem 25 anos e nacionalidade romena. Quando era miúdo Cosmin esgotava o seu tempo, como tantos outros miúdos, a jogar Xbox. Passava horas e horas em frente ao ecrã, de comando na mão, sobretudo a jogar GTA. Nunca foi um aluno exemplar, pelo contrário, era considerado francamente fraco. Hoje, Cosmin cresceu. Não deixou de gostar de jogos de vídeo, provavelmente continua a jogá-los, contudo, o tempo que dispõe para o hobbie é com certeza bem mais reduzido visto que Miahiu é, hoje em dia, o CEO de uma start-up chamada Mira Rehab.

A Mira Rehab nasceu do empreendedorismo e da vontade do romeno. Miahiu pegou na sua paixão de criança e canalizou-a para um novo universo prático, completamente distinto do mundo digital dos jogos – a fisioterapia.

O conceito é novo e caminha a passos largos para o sucesso. Aliar a parte desafiante e divertida de um jogo com a actividade de fisioterapia é a receita da start-up. Através da tecnologia do Windows e do Kinect, a Mira Rehab desenvolve jogos que exercitam partes específicas do corpo. Quando a parte interactiva é combinada com a prática do tratamento em si, o paciente consegue abstrair-se de toda a parte penosa e morosa do tratamento, o que resulta, por norma, num novo tipo de fisioterapia, bem menos desgastante e até mais eficaz.

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Os jogos são diversos, foram pensados cuidadosamente e obrigam a movimentos específicos e determinados, basicamente reproduzem os exercícios que se fariam numa qualquer sessão fisioterapêutica normal. A diferença está no foco de concentração e na motivação do doente. Num dos jogos o objectivo passa por fazer controlar, através do movimento, uma abelha que procura pólen. Para isso o paciente fará uma série de agachamentos constantes.

O empreendedor romeno tem feito o seu projecto crescer e chegar longe: cimentou já algumas parcerias quer com hospitais de prestígio, quer com grandes universidades europeias. Tem ainda recolhido os mais variados apoios e patrocínios e já ganhou até uma bolsa TED à luz do projecto.

É certo que num mundo onde já existe tanta coisa, a fórmula da novidade parece estar precisamente não em inventar os ingredientes de raiz, mas em combinar aquilo que já existe, e que simplesmente nunca foi conjugado. Para Mihaiu toda este conceito fisioterapêutico arrojado parece ter nascido natural: “Eu achei a fisioterapia muito difícil em criança”, disse o CEO da Mira Rehab. “Se eu tivesse um jogo, teria, na certa, recuperado bem mais depressa.”

A empresa está assumidamente no mercado do Reino Unido, embora chegue a mais países e a ambição seja crescer continuamente. Para já trabalham com a Central Manchester NHS Trust e a Guys and St Thomas, com quem, recentemente, completaram ensaios clínicos.

Para os pacientes a ideia é excelente. Os resultados do tratamento costumam ser mais rápidos ao mesmo tempo que as sessões de trabalho se transformam num exercício bem mais relaxado e divertido. Ficamos então à espera que a Mira Rehab continue a crescer e que chegue brevemente a Portugal.

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