Uber 1 – 0 Mayor de Nova Iorque

A Uber, uma das empresas tecnológicas mais valiosas do mundo, acabou de derrotar o presidente de câmara mais poderoso do mundo: o mayor de Nova Iorque, Bill De Blasio.

O responsável por Nova Iorque não resistiu ao marketing da Uber. De Blasio tinha apresentado, no início do mês, um projecto de lei que limitaria o número de licenças para serviços de ride-sharing e que faria com que, no próximo ano, a Uber só pudesse adicionar 201 novos motoristas à sua plataforma. Agora, depois de uma massiva campanha promovida pela Uber, em várias frentes, De Blasio desistiu da ideia.

De Blasio comprometeu-se agora a promover um estudo, com duração de quatro meses, sobre o impacto dos veículos da Uber e de plataformas de ride-sharing no trânsito de Nova Iorque, sem limitar os número de veículos que estas empresas podem ter nas ruas. Todavia, a câmara de Nova Iorque não descarta a possibilidade de colocar esta limitação num futuro.

Durante os últimos dias, a Uber desenvolveu em Nova Iorque, uma intensa campanha, envolvendo várias frentes, em defesa do serviço. Uma das iniciativas foi este vídeo, posicionando a plataforma junto das minorias e dos residentes nos subúrdios da cidade:

https://youtu.be/ePAxy5PCeuk

A tema rapidamente saltou para a imprensa, com vários artigos de opinião. Um deles foi assinado por toda a equipa editorial do The New York Times.

https://twitter.com/Uber_NYC/status/622233700516937729

https://twitter.com/Uber_NYC/status/623889723921035264

Em Nova Iorque, a Uber colocou também anúncios na televisão, banners em vários websites e enviou e-mails directamente para os membros da câmara municipal. Na última terça-feira, por exemplo, promoveu uma feira pública, em pleno Queensbridge Park: deu comida e procurou angariar futuros motoristas para a plataforma. No início do mês, já tinha feito uma manifestação em frente à câmara municipal com actuais motoristas e funcionários da empresa.

https://twitter.com/Uber_NYC/status/623547614827515904

Mas a Uber não se ficou por aqui: disponibilizou a opção “De Blasio” na sua app, mostrando aos mais de 2 milhões de utilizadores do serviço em Nova Iorque como seria a sua vida com o plano de Blasio aprovado. Houve ainda uma petição online.

https://twitter.com/Uber_NYC/status/621743602633412608

Se isto tudo te parece uma campanha política, é porque foi mesmo. Nova Iorque é um dos maiores mercados para a Uber, que gera muitos milhões de dólares de receita anual para a empresa. Se a Uber quer crescer na cidade que nunca dorme, não tem outra escolha se não lutar contra o lobby dos taxis e a câmara municipal.

A Uber é um conceito simples: leva pessoas de um ponto A para um ponto B com um toque num botão. Contudo, afecta vários factores, não só o trânsito nas ruas, mas também aspectos de regulação, emprego, infra-estrutura da cidade e, sim, política.

A Uber não pode mexer na infra-estrutura da cidade e mudar a regulamentação sem entrar no jogo política. Não se tornou uma empresa avaliada em 50 mil milhões de dólares sem disputar uma única luta. Nova Iorque está logo de ser o único mercado que a Uber influenciou politicamente, mas o que acontece é um excelente case-study, capaz de provar o poder da equipa de relações públicas da empresa.

Não é de estranhar tamanha força. No ano passado, a Uber contratou David Plouffe, antigo gestor de campanha de Obama. Plouffe integra a divisão política e estratégica da Uber, e tem sido responsável por garantir que a empresa Uber ultrapassa cada obstáculo regulatório que aparece no seu caminho, para que ele possa operar no maior número de cidades possível em todo o mundo. Com Plouffe aos comandos, a Uber fez importantes contratações. A última delas foi Rachel Whetstone, antiga vice-presidente sénior de comunicação e política da Google, para substituir Plouffe, que agora se mantém como assessor-chefe da empresa.

A Uber quer que ninguém a pare. Em Nova Iorque, recorde-se, já existem mais veículos Uber que táxis nas ruas, mas há mais números importantes, conforme aponta a Bloomberg neste artigo.

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  • Jornalista, adepto de cidades humanas e curioso por ideias que melhorem o país. Co-fundei o Shifter em 2013, sou desde 2020 coordenador do projecto editorial Lisboa Para Pessoas.

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