A NASA tirou a melhor foto de sempre a Plutão e partilhou-a no Instagram

Nove anos e 4800 milhões de quilómetros depois, a sonda espacial New Horizons cumpriu o seu objectivo de observação de Plutão, do seu satélite Caronte e de mais duas luas antes de seguir disparada para os confins do nosso sistema planetário.

Tudo aconteceu ao longo desta terça-feira. Eram 12h49 (hora de Lisboa) quando aplausos e gritos de alegria explodiram no centro de controlo da missão New Horizons da NASA, localizado na Universidade Johns Hopkins. Foi nesse instante que a sonda passou a apenas 12 500 quilómetros de distância de Plutão. Pouco depois, estava a enviar para a Terra a melhor foto de sempre, por enquanto, do planeta-anão.

“Esta imagem é a primeira de muitas recompensas que iremos receber”, disse John Grunsfeld, da NASA, esta terça-feira, em conferência de imprensa.

Nunca tínhamos estado tão próximos de Plutão, que já foi o nono planeta do Sistema Solar, mas que perdeu este estatuto em 2006, quando foi despromovido a planeta-anão. Não é, por isso, de estranhar o entusiasmo dos cientistas da NASA quando o histórico encontro entre a sonda espacial e Plutão aconteceu:

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Um astrónomo que integra a equipa da missão New Horizons fez este tweet, observando que, pela primeira vez na história, o retrato do Sistema Solar está completo. Plutão era o único planeta(-anão) que não tinha uma fotografia pormenorizada da sua superfície.

A sonda New Horizons, que consegue tirar fotos de Plutão com mil vezes a resolução das imagens dos telescópios terrestres, entrou em piloto-automático para acumular a maior quantidade possível de informação durante o encontro com Plutão. Às 2 da manhã desta quarta-feira (hora de Lisboa), a sonda conectou-se novamente à Universidade Johns Hopkins para transmitir mais dados – os cientistas vão precisar de 16 meses para descarregar todos esses dados, que permitirão tirar novas conclusões acerca dos mistérios do planeta-anão, como atmosferas, geologia, composição das rochas…

Esta quarta-feira, a NASA vai lançar mais imagens de Plutão com 10 vezes a resolução daquela que publicou no Instagram.

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“Faz hoje 50 anos que os EUA embarcaram na exploração do Sistema Solar, quando a Mariner IV passou ao pé de Marte”, observou Alan Stern, cientista principal da missão, em conferência de imprensa. “Agora, exactamente 50 anos depois, completámos a nossa missão de reconhecimento de todos os planetas.”

Cinco cientistas da NASA ligados à missão New Horizons fizeram um AMA conjunto no Reddit. Uma das primeiras questões colocadas foi sobre se as cores da fotografia de Plutão divulgada eram reais. “Sim, as cores são verdadeiras”, respondeu Jillian Redfern. E Kelsi Singer acrescentou: “Tentámos que estivesse o mais próximo possível da cor real. Juntámos os comprimentos de onda que tínhamos e traduzimo-los no que o olho humano iria ver.”

Na foto, é possível ver que na zona equatorial de Plutão existem grandes manchas escuras, situadas a intervalos regulares – os cientistas ainda não sabem de que se tratam. Algo que também surpreendeu a NASA é que Plutão parece ser muito mais novo do que Caronte, uma vez que apresenta menos sinais de impactos. “Espero que sejamos capazes de determinar as idades de ambos e de perceber se é mesmo assim e porquê”, disse Alan Stern.

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Por outro lado, os cientistas estão a especular que o Plutão é maior do que se pensava.  Os cálculos mais recentes atribuíam ao planeta-anão um diâmetro de 2 368 quilómetros, com uma margem de erro de 20 quilómetros. Mas através dos dados agora recolhidos, a NASA calculou um valor ligeiramente maior: 2 370 quilómetros, com a mesma margem de erro. De realçar que Plutão já tinha tido outros diâmetros no passado: 2 306 em 1993 e 2 390 em 2006.

A sonda New Horizons pesa cerca de meia tonelada e tem sete instrumentos: Ralph (espectrómetro de luz visível e de radiação infravermelha), Alice (espectrómetro de radiação ultravioleta), REX (medidor da composição atmosférica e da temperatura – serve passivamente de radiómetro), LORRI (câmara telescópica de alta definição), SWAP (espectrómetro de ventos solares e plasma), PEPSSI (espectrómetro de partículas energéticas) e SDC (monitoriza a poeira espacial que atinge a sonda).

Com energia para durar cerca de 20 anos, a New Horizons dirige-se agora para o espaço intersideral – “tal com as Voyagers, mas com instrumentos muito mais modernos”, salientou o Alan Stern. O investigador deixou no ar que, um dia, talvez a sonda consiga “enviar dados do espaço situado para lá do fim do Sistema Solar”.

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  • Jornalista, adepto de cidades humanas e curioso por ideias que melhorem o país. Co-fundei o Shifter em 2013, sou desde 2020 coordenador do projecto editorial Lisboa Para Pessoas.

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