As novas revelações de Plutão

Desde que a New Horizons chegou a Plutão, muitas têm sido as revelações sobre aquele que já foi em tempos o nono planeta do nosso Sistema Solar. Depois da zona em forma de coração e das suas montanhas geladas, tem sido a vez da peculiar atmosfera deste planeta e da sua intrigante actividade geológica terem chamado a atenção dos astrónomos da NASA.

A atmosfera de Plutão

A atmosfera do planeta anão tem sido uma das maiores surpresas reveladas pela sonda New Horizons. Não só é muito maior do que se julgava, como está a ser perdida para o espaço a um ritmo elevado.

Até recentemente julgava-se que a atmosfera de Plutão teria qualquer coisa como 270 km de extensão em altura, superior à atmosfera terrestre que se estende por 120 km. Ao passar junto a Plutão a sonda estudou a sua atmosfera recorrendo a um dos instrumentos a bordo, o espectógrafo de imagem Alice.

Os dados foram recolhidos numa altura específica, quando o planeta se encontrava a ocultar o sol de modo a conseguir medir o comprimento de onda da luz solar após a interacção com a atmosfera de Plutão, e determinar quais os gases que a constituem (maioritariamente azoto). A grande surpresa estava porém reservada para as dimensões da atmosfera, registadas pela câmara Alice, 1600 km, muito superior ao que era previsto. Um resultado que não deixa de ser surpreendente tendo em conta as dimensões de Plutão, 5 vezes menor que a Terra, e que possui uma atmosfera 13 vezes superior ao nosso planeta.

Outro facto que intrigou os investigadores prende-se com o desaparecimento da atmosfera. É verdade, a New Horizons detectou que Plutão está a perder a sua atmosfera que vai deixando um rasto de plasma atrás de si. A descoberta foi feita por um dos instrumentos da sonda New Horizon, o SWAP (New Horizon’s Solar Wind Around Pluto) que detectou uma cauda de plasma, rica em moléculas de azoto ionizadas cuja origem se supõe ser da atmosfera do planeta.

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A cauda de plasma que se estende para além de Plutão tem uma dimensão de dezenas de milhares de quilómetros. Os astrónomos da NASA ainda não têm conclusões definitivas mas tudo parece apontar para que seja resultado da interacção das partículas carregadas transportadas pelos ventos solares, com as moléculas da atmosfera de Plutão. “O que nós pensamos que esteja a acontecer é que os ventos solares – partículas carregadas a viajar a velocidades supersónicas – estão a interagir com a atmosfera que escapa de Plutão produzindo um fluxo de choque”, revelou Fran Bagenal, um dos investigadores envolvidos na missão New Horizons.

É normal os planetas perderem gases da sua atmosfera, por interacções múltiplas; contudo, esta mantém-se em níveis mais ou menos constantes devido a processos que ocorrem à superfície como, no caso da Terra, evaporação ou actividade vulcânica. O que surpreendeu os astrónomos foi a taxa a que a atmosfera de Plutão está a desaparecer: 500 toneladas por hora! Em jeito de comparação a atmosfera de Marte vai-se perdendo a um ritmo de 1 tonelada por hora.

A actividade de Plutão

Uma das principais conclusões retiradas dos dados da sonda New Horizons é a de que Plutão é um planeta (bastante) activo do ponto de vista geológico e não uma bola de rocha inerte.

As imagens captadas têm retratado um planeta recheado de acidentes geológicos como as montanhas com km de altura, vales, desfiladeiros e até vulcões. Tudo características semelhantes às da Terra.

Outro facto que vem apoiar esta teoria é a ausência de um grande número de crateras num planeta onde caem vários asteróides, indicando que a superfície tem vindo a sofrer processos que a modificaram. Pelos cálculos realizados aquando da observação das montanhas no equador de Plutão e da sua lua Charon  estima-se que aquela superfície não tenha mais que 100 milhões de anos, indicando que Plutão seja ainda geologicamente activo.

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Alan Stern, principal investigador da missão New Horizons, expressa a sua surpresa com esta situação: “Eles são muito activos. Plutão e Charon têm sido activos por milhões de anos mas ainda não sabemos qual a energia por detrás disto. É um enigma.”

Neste momento as informações vão-se sucedendo mas ainda há muito mais por desvendar, sendo que de todas os dados recolhidos pela sonda apenas 5% foram analisados.

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