Vírus do herpes tem potencial de cura do cancro da pele

Uma estirpe do vírus do herpes, modificada em laboratório, pode vir a representar uma nova conquista na luta contra patologias oncológicas da pele. A versão modificada do vírus tem sido utilizada, com sucesso, para tratar doentes com cancro de pele – o melanoma. Um em cada quatro pacientes submetidos ao tratamento, respondeu positivamente, e manteve-se em remissão pelo menos durante os seis meses seguintes.

A boa nova chega do Reino Unido. Os números são revigorantes e representam os resultados de um ensaio clínico que envolveu mais de 400 pacientes com melanoma agressivo. Os pacientes inscreveram-se para tratar a doença através da técnica de virotherapy – que utiliza vírus modificados como forma de atacar patologias específicas.

“Esta é a grande promessa deste tratamento. É a primeira vez que com esta técnica conseguimos ser bem-sucedidos num ensaio clínico de fase 3”, contou ao The Guardian, Kevin Harrington, líder da investigação do Institute of Cancer Research em Londres.

O Talimogene Laherparepvec (T-VEC), antibiótico gerado da estirpe modificada, mostrou-se tão eficaz que Harrington espera que esteja disponível para venda até 2016. Basta agora conseguir a aprovação da FDA e da European Medicines Agency para que a companhia farmacêutica Amgen possa comercializar o medicamento em solo europeu e norte-americano.

O medicamento é https://staging2.shifter.pt/wp-content/uploads/2021/02/e03c1f45-47ae-3e75-8ad9-75c08c1d37ee.jpgistrado uma vez a cada duas semanas durante 18 meses. Os seus efeitos secundários revelaram-se semelhantes ao da gripe comum. Sem dúvida preferíveis quando comparados com os efeitos de outras técnicas como quimioterapia ou radioterapia.

De acordo com o estudo, publicado no The Journal of Clinical Oncology, os 436 pacientes no ensaio apresentavam um melanoma grave e inoperável. Um número bastante elevado dos doentes que tomou o T-VEC, 16,3% manteve-se em remissão durante pelo menos os 6 meses seguintes ao tratamento. Um percentagem bastante diferente quando comparada com a do grupo de controlo da investigação, 2,1%. Este grupo passou pela terapêutica imunológica, com anticorpos monoclonais disponíveis no mercado..

Os números do T-VEC foram realmente fantásticos: 10% dos doentes entraram em remissão completa; a taxa de sobrevivência também subiu vertiginosamente de 21,5 meses para sensivelmente o dobro, 41 meses. Outra das vantagens desta terapia prende-se no facto de conseguir surtir efeito nos pacientes em estágios da doença, onde seria impossível actuar com as terapêuticas clássicas. O T-VEC actuou em alguns doentes com metástases avançadas, e que comprometiam já outros órgãos que não a pele.

O estudo tem vindo a ser desenvolvido às mãos de Harrington e as investigações prolongam-se já há 10 anos. A equipa constatou que esta virotherapy é eficaz em diferentes tipos de cancro, mas os seus resultados sem dúvida exponenciam na aplicação ao melanoma.

Ainda assim, a equipa continua em fase de testes, e experimenta agora a efectivação do tratamento em outro tipo de doenças oncológicas através de ensaios clínicos de modo a disponibilizar os tratamentos durante o presente ano de 2015.

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  • A Mara Bento é redactora de ciência e cultura do Shifter. Estuda Publicidade e Marketing na Escola Superior de Comunicação Social, em Lisboa.

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