Start-up portuguesa JOBBOX renasce como Landing.jobs e com 750 mil euros de investimento


Ouvimos o nome JOBBOX pela primeira vez em Fevereiro de 2014 quando Pedro Carmo Oliveira e José Paiva apresentaram a sua ideia para responder a um problema sério, que afecta não só Portugal como a Europa em geral: existem profissionais das tecnologias de informação (TI), mas muitas vagas de emprego neste sector estão por preencher.

Pedro e José criaram a JOBBOX, uma plataforma que permite às empresas de TI encontrar os melhores profissionais. Este sistema de recrutamento é suportado por um mecanismo de recompensa, em que os amigos que fizerem as sugestões mais indicadas para cada vaga são recompensados em caso de contratação.

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Ao longo do primeiro ano de vida, a JOBBOX emancipou-se. Incubada na Startup Lisboa desde início, a jovem empresa viu a sua equipa crescer e mudar-se para um escritório maior, no outro lado da Rua da Prata. A plataforma ganhou mais utilizadores à procura de emprego, mais ofertas de trabalho e mais empresas e recrutar. Nomes sonantes como o Spotify, a Miniclip ou a Booking.com já utilizam a ferramenta da JOBBOX.

Agora, em Maio de 2015, Pedro Oliveira e José Paiva enfrentam novos desafios. Com 750 mil euros de investimento da Portugal Ventures (em co-parceria com a Best Horizon) no bolso, a equipa prepara-se para atacar Londres com um escritório próprio na capital britânica. Mas talvez o desafio maior – pelo menos neste momento – é o da mudança de nome. A JOBBOX chama-se agora Landing.jobs: “a new name to do a better job”, escrevem no seu blogue.

Sentámo-nos com Pedro, José e Matthew Carrozo, director de marketing, nas instalações na Rua da Prata para perceber como está a decorrer esta transformação estrutural e operacional.

750 mil euros e agora?

Foi com 45 mil euros de capital próprio que a JOBBOX arrancou no início de 2014. E ao longo dos seus primeiros 12 meses (sobre)viveu como muitas start-ups: num regime auto-sustentável, sem investimento externo – o chamado bootstrapping.

O modelo de bootstrapping é essencial para demonstrar e provar conceitos. A JOBBOX estava a crescer todos os dias, mas não o suficiente. “Tens de crescer rápido, com força, e bootstrapping não te permite isso”, explicou Pedro. “Estava a ser um crescimento muito lento”, acrescentou José Paiva.

Foi claro, para os fundadores, que teria de haver investimento para alcançarem os seus objectivos de criar um mercado de recrutamento focado em empresas de novas tecnologias, onde os utilizadores podem ser recompensados pelas recomendações que fazem. “Fizemos uma análise competitiva, avaliando os nossos competidores, e vimos que eles tinham sido investidos. Nós não tínhamos de ir pelo mesmo caminho, mas se queremos criar um marketplace tem de ser por aí”, acrescenta Pedro.

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Para muitas empresas jovens, a fase complicada não passa só por alcançar investimento, mas também por “sobreviver” nos “entretantos”. José Paiva conta que “o mais difícil não foi fechar o investimento, foi assumir o investimento” conseguido por via da Portugal Ventures, organismo público de capital de risco, em co-parceria com a Best Horizon.

Depois de se ultrapassar toda a burocracia que um processo destes implica, foi preciso dar início ao planeamento e à utilização do dinheiro conseguido. Ou, pelo menos, assumir esse dinheiro, “Estás com uma escala de crescimento em bootstrapping e há ali um gap de 2-3 meses em que ainda não passaste para um crescimento correspondente ao investimento”, explica Pedro.

Quase a aterrar em Londres

Com um investimento de 750 mil euros, as metas e os planos futuros são bastantes promissores. O mais arrojado vai ser a ida para Londres, provavelmente o maior epicentro de empreendedorismo na Europa com um mercado de recrutamento muito competitivo, especialmente no mundo tecnológico.

Pedro Oliveira, de 28 anos, vai comandar as operações da Landing.jobs na capital britânica com o objectivo de conseguir “um melhor produto, melhor marketing e melhor equipa de operações”, justifica. Como é que se torna relevante uma presença dedicada da Landing.jobs em Londres? Para Pedro a razão é simples: “não há nenhuma outra empresa ou start-up que tenha o mesmo modelo que nós, que se baseie no referral”.

Na génese da Landing.jobs esteve o objectivo de “criar um match making entre os profissionais de TI e as empresas, da melhor forma possível”, conta o co-fundador. “A primeira ferramenta que descobrimos foi o crowd referral. Agora vamos avançar para outras”, revela. “Sempre quisemos potenciar estas três coisas: a equipa Landing.jobs, a tecnologia e o crowd referral”, acrescenta José Paiva.

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Para além de querer ser um mercado com as melhores ofertas de trabalho no mundo da tecnologia, a Landing.jobs pretende acompanhar os seus utilizadores em todo o processo de recrutamento. Na visão de José Paiva, as fases mais complicadas são o início e o fim: “conseguir que as pessoas entendam o processo e depois fecha-lo é o mais complicado”, diz. Pedro dá especial destaque aos chamados candidatos passivos, “aquelas pessoas que não estão activamente à procura de trabalho”, mas que se registaram na plataforma para acompanhar as ofertas que forem surgindo ou avaliar o mercado, por exemplo. São os mais difíceis de “gerir” e cativar, diz-nos.

Há casos de insucesso mesmo quando o processo decorre até ao fim, ainda assim. Pedro considera que as empresas deveriam adoptar, cada vez mais, o modelo de “trials” antes de assumirem uma contratação definitiva, porque muitas vezes pode “não haver fit cultural”. “Se as empresas fossem mais transparentes e fizessem uso dos trials, talvez os processos de recrutamento não fossem tão exaustivos”, defende.

Parcerias estratégicas

Um dos principais cenários com que a empresa se depara, e que tem de ser lidado com muita delicadeza, são as respostas negativas a um candidato por falta de competências. Para ajudar a evitar essa falha, a Landing.jobs aliou-se à Stuk.io, uma start-up do Porto que ajuda a potencializar as competências na área das TI. “Fizémos a parceria para que se os candidatos receberem um feedback de falta de skills, possam usar um desconto de 50% na Stuk.io”, explica Pedro.

A Stuk.io é uma plataforma online que procura ensinar os utilizadores a programar, independentemente do seu grau de conhecimento na área. Centenas de pessoas recorrem à Stuk.io para tentar entrar no mercado das TI e é aqui que a missão da start-up nortenha se cruza com a lisboeta Landing.jobs.

Um potencial candidato a uma vaga numa empresa de tecnologia pode recorrer à Stuk.io para desenvolver apps móveis que enriqueçam o seu currículo e, assim, aumentar as probabilidades de contratação via Landing.jobs. A própria Stuk.io procura canalizar para a Landing.jobs os seus melhores alunos para que se possam vingar profissionalmente.

A Stuk.io não foi a única parceria celebrada pela Landing.jobs. Pedro e José têm procurado criar sinergias em torno da temática do emprego, expandindo a visibilidade/presença da sua empresa, por um lado, criando novas oportunidades de negócio, por outro. Mas, acima de tudo, reforçando o seu compromisso na resolução do problema do excedente de vagas no sector das TI.

A Skilleo é uma start-up também da Invicta que desenvolveu uma plataforma online onde os candidatos podem fazer uma série de testes para mostrar o que realmente valem. É mais um indicador para a empresa que contrata e mais uma ferramenta que o candidato tem para mostrar o seu valor, ampliando ainda mais a transparência em todo o processo. No fundo, com a Skilleo, os utilizadores da Landing.jobs podem reforçar as suas candidaturas e, mais uma vez, aumentar as hipóteses de contratação.

As próximas aterragens

Com um investimento de 750 mil euros, uma expansão para Londres em curso e algumas parcerias fechadas, a então JOBBOX viu-se na necessidade de encontrar um novo branding, mais forte e também mais universal. Landing.jobs foi o nome escolhido, num trabalho sinérgico com duas agências entendidas das marcas e do design: a With Company e a SensesLab.

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O nome JOBBOX não estava de acordo com os nossos valores. ’Box’ transparece tudo menos transparência”, confessou José Paiva. A acrescer a este facto, ‘JOBBOX’ levantava problemas de ortografia e de disponibilidade de domínios. Por outro lado, a expansão para novos mercados, como o londrino, colocaria a velha denominação em conflito com empresas locais já existentes.

A Landing.jobs está umbilicalmente ligada a um processo, a uma mudança drástica na vida dos seus utilizadores – e o rebranding feito reflete isso mesmo. “Landing.jobs dá uma noção de processo, de continuidade e de movimento. Que está muito mais próximo da nossa identidade”, justificou Matthew.

O logo da Landing.jobs é simples, espaçado por letras maiúsculas, sublinhadas por uma linha firme de dignidade. As letras do nome podem “dançar” e desorganizarem-se da forma em que “aterraram” na sua “linha”. A diferentes cores que a identidade pode tomar reflectem as diferentes expectativas, competências e motivações que os candidatos apresentam e que os recrutadores procuram.

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O novo nome acentua a credibilidade e estabilidade necessárias a uma empresa que, tem o poder de alterar o rumo das vidas dos seus utilizadores. Landing.jobs é “uma forma humana de aterrar num emprego tech”, diz a start-up no seu blogue.

Por falar em Landing.jobs, aqui encontras as melhores ofertas no mundo tech.

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