Facebook abre Internet.org a todos os programadores


Em meados de Abril, Mark Zuckerberg viu-se obrigado a explicar que o Internet.org e o princípio da neutralidade da net não estão em conflito. Mas a verdade é que a iniciativa do Facebook para colocar online todo o mundo está a favorecer algumas empresas e serviços em detrimento de outros.

O Internet.org já está disponível em alguns países como Indonésia, a Colômbia ou o Quénia; e, na prática, é uma app que permite às populações dessas regiões acederem gratuitamente a um conjunto de serviços que as entidades locais e o Facebook consideraram básicos. Que serviços são estes? O Facebook, o Messenger, a Wikipedia, o AccuWeather, a BBC News, o Dictionary.com, o OLX, o wikiHow… entre muitos outros. Os serviços variam de país para país, consoante o que existe em cada país e os acordos feitos entre as entidades e as operadoras.

Mas uma coisa é certo. Se uma app oferece acesso gratuito a alguns serviços online, como a app do Internet.org faz, então dá um tratamento especial a esses serviços. Ou seja, algumas empresas têm acesso especial a algumas pessoas, enquanto que outras não. Há um tratamento desigual e isso é uma violação dos princípios da neutralidade.

Para responder a estas fortes críticas, o Facebook, na qualidade de mentor do Internet.org, decidiu transformá-lo numa plataforma aberta de apps. Quer isso dizer que os programadores podem agora criar apps integradas no Internet.org, apps que dêem ás pessoas acesso gratuito a serviços online básicos.

Por outras palavras, o Internet.org deixará de ser uma app fechada com um conjunto limitado de serviços para se transformar numa espécie de layer básico/gratuito da internet.

“Queremos trabalhar com o maior número possível de programadores e empreendedores para extender os benefícios da conectividade a diversas comunidades locais. Nesse sentido, ofereceremos serviços por meio do Internet.org de uma maneira mais transparente e inclusiva”, refere o Facebook em nota de imprensa.

Os programadores que queiram participar no Internet.org têm de seguir algumas regras impostas pelo Facebook, como produzir conteúdos que possam ser acedidos tanto em telemóveis básicos como em smartphones, criar serviços que possam ser acessíveis em cenários limitados de largura de banda ou não usar de todo linguagens como JavaScript ou SSL/TLS/HTTPS.

O Internet.org é um esforço conjunto do Facebook com outras gigantes tecnológicas para oferecer à população que estão desconectada um serviço gratuito de internet. Segundo dados do projecto, mais de 85% da população mundial vive em áreas com cobertura para telemóveis, mas apenas 30% acedem à Internet. Isso significa que dois terços da população mundial ainda não têm acesso à web.

O Internet.org já foi lançado em alguns países em África, América Latina e Ásia.

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