Estreia mundial do inédito filme de Manoel de Oliveira acontece dia 4 no Porto


O filme inédito de Manoel de Oliveira, Visita ou Memórias e Confissões, rodado em 1982 para ser mostrado publicamente só depois da morte do cineasta, tem estreia mundial agendada para esta segunda, 4 de Maio, às 18h30, no grande auditório do Teatro Municipal do Rivoli, auditório este que será no momento nomeado Auditório Manoel de Oliveira.

Visita Ou Memórias e Confissões foi realizado por Manoel de Oliveira no início da década de oitenta, depois de Francisca, sob a condição de ser apresentado só depois da sua morte. Durante mais de 30 anos, o filme foi preservado no arquivo da Cinemateca Portuguesa.

Com diálogos escritos por Agustina Bessa-Luís, para as vozes de Diogo Dória e Teresa Madruga, Visita Ou Memórias e Confissões é um filme biográfico de Manoel de Oliveira, rodado quando tinha 73 anos, na casa onde viveu cerca de quatro décadas com a mulher, os filhos e os netos. “O cinema é a minha paixão e sempre tudo sacrifiquei à possibilidade de poder fazer os meus filmes”, afirma o realizador para a câmara, numa das divisões daquela casa, fio condutor da obra.

O filme é dedicado à mulher, Maria Isabel, “a realidade sem subterfúgios”, que aparece por breves minutos a apanhar flores e a falar sobre a relação com Manoel de Oliveira. A partir daquela casa, na qual filmou algumas divisões e os jardins e sobre a qual disse existir “um certo mistério”, Manoel de Oliveira recordou a história familiar, apresentou os pais, os filhos e netos, recorrendo apenas a fotografias.

Durante pouco mais de uma hora, Oliveira aborda ainda a relação com a morte e com o sofrimento, com as mulheres – “exercem um fascínio enorme sobre mim” – e recorda os dias que passou na prisão, no Aljube, em Lisboa, depois de ter sido detido e interrogado pela PIDE, nos anos 1960.

Manoel de Oliveira fez Visita Ou Memórias e Confissões quando estava a preparar a rodagem de Non Ou a Vã Glória de Mandar, que descreveu como uma reflexão sobre o 25 de Abril de 1974 e, ao longo da obra, faz referência aos filmes que já tinha escrito e ainda não tinha conseguido rodar, nomeadamente O Estranho Caso de Angélica.

No dia 4 de Maio, existirá uma sessão extra às 21h30, também de entrada gratuita, no mesmo grande auditório do Teatro Municipal do Rivoli. Quanto a Lisboa, o filme será exibido a terça-feira, dia 5, na Cinemateca Portuguesa. Seguirá depois para Cannes, onde será exibido no Festival de Cinema.

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