Morreu Herberto Helder


Herberto Helder faleceu esta segunda-feira, aos 84 anos, na sua casa em Cascais. Até ao momento ainda não foi possível apurar a causa da morte.

Nascido em 1930 no Funchal, Herberto Helder de Oliveira foi considerado o maior poeta português da segunda metade do século XX. Em 1994 foi-lhe atribuído o Prémio Pessoa, uma distinção que recusou. São acções como esta, assim como uma vida pública oculta e um caráter privativo que o tornam uma figura ainda mais mediática e de interesse para o grande público.

Matriculou-se em Direito em 1948, mas cedo mudou para Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Trabalhou, ao longo da sua vida, em diversas publicações imprensas, relatando também o cenário das grandes capitais europeias e das paisagens africanas na obra que o deixa num pedestal contemporâneo.

Entre as suas principais obras estão A Colher Na Boca (1961), Os Passos Em Volta (1963), Photomaton & Vox (1979), Ou O Poema Contínuo (2004), A Faca Não Corta O Fogo (2008). Servidões, publicado em 2013, esgota a sua edição limitada de forma galopante e levanta o debate acerca da compra, revenda e política de edição do autor.

A última obra de Herberto Helder, A Morte Sem Mestre, foi publicada em Maio do ano passado pela Porto Editora e incluía um CD com cinco poemas ditos pelo autor. Como o seu antecessor, esgota rapidamente, numa situação atípica na poesia portuguesa.

Herberto Helder (1930-2015). Porque os imortais também morrem.