BBC afasta Jeremy Clarkson do ‘Top Gear’. Um grave despiste televisivo?


Até há duas semanas, o Top Gear era um programa de sucesso da BBC, conduzido por Jeremy Clarkson, Richard Hammond e James May. Mas uma agressão de Clarkson a um elemento da produção, levou à suspensão do apresentador e agora ao seu despedimento. O Top Gear pode recuperar deste grave despiste, mas o seu futuro ainda é incerto.

A história da polémica entre Jeremy Clarkson e a BBC começou na terça-feira 10 de Março, quando a estação britânica anunciou a suspensão do host do Top Gear depois de um momento de agressão deste a um membro da equipa de produção que ocorreu dias antes, a 4 de Março. Após algumas horas de gravação para mais um episódio do programa, não tinha sido disponibilizado um serviço de catering aos apresentadores e Clarkson não gostou. Confrontou um assistente de produção, Oisin Tymon, e a discussão entre ambos culminou num soco.

Além de suspender Jeremy Clarkson das suas funções, a BBC interrompeu também as gravações dos últimos 3 episódios da actual temporada de Top Gear, cujas audiências ao domingo à noite, no Reino Unido, costumam rondar os 4/5 milhões de telespectadores (na linguagem publicitária, isso significa 200 milhões de euros). Nos últimos dois domingos (dias 15 e 21), o público britânico não pôde assistir ao habitual episódio do programa, que foi substituído pelo filme Where Eagles Dare (1968) e depois por uma série sobre viagens, chamada Caribbean with Simon Reeve.

A BBC iniciou ainda, no dia 10, uma investigação ao incidente que durou as últimas duas semanas, tendo terminado hoje, dia 25, com o anúncio do despedimento de Jeremy Clarkson. A estação britânica decidiu não renovar o contrato com o anfitrião de Top Gear, uma decisão que, segundo o diretor-geral, foi bastante ponderada e não tomada de ânimo leve. “Precisamos de vozes distintas e diferentes, mas não a qualquer preço. Comum a todos na BBC, tem de haver regras de decência e respeito”, indicou Tony Hall. “Não posso aceitar o que aconteceu. Para mim, passou-se uma linha. Não pode haver uma regra para um e uma regra para outro ditada pelo estatuto, relações públicas ou considerações comerciais”, acrescentou.

O chefe da BBC salientou que esta decisão não diminui o “extraordinário contributo” de Clarkson para a estação, tendo sido sempre “um grande fã” do seu trabalho e do Top Gear. “Ele está a deixar a BBC, mas tenho a certeza que continuará a entreter, desafiar e divertir audiências por muitos anos”, acrescentou.

Também Oisin Tymon, o assistente agredido, deixou uma nota positiva a Clarkson, salientando a “relação positiva e bem sucedida” com o apresentador, que diz ser “um talento único”. Tymon acrescentou ainda que “muitos lamentarão que a sua participação no programa termine desta forma”:

De acordo com Tony Hall, o Top Gear deverá ser renovado em 2016 e está a ser estudada a melhor forma de transmitir os episódios já gravados. Quanto ao futuro de Jeremy Clarkson, correm rumores de que o anfitrião britânico se prepara para assinar um contrato com o Netflix. Desconhece-se se os outros apresentadores, James May e Richard Hammond, irão renovar o contracto que termina em Maio deste ano ou vão juntar-se a Clarkson no seu próximo projecto.

O Top Gear é emitido pela BBC desde 2002, sendo hoje vendido para 214 países, como Portugal, onde é emitido pelo Discovery Channel. A BBC estima que, em todo o mundo, 350 milhões de pessoas acompanhem a série, da qual é dona, pois, em 2012, comprou os direitos a Clarkson.

Terá a BBC cometido o maior erro da história televisiva?