‘Unbroken’


Fui ver o Unbroken, realizado pela Angelina Jolie e com um guião escrito pelos irmãos Ethan e Joel Cohen. Se estes nomes fortes parecem garantia de um filme de alta qualidade, não se deixem enganar. Este é um épico, mas é um épico que já foi muito visto.

Toda a compleição filme é muito à americana. Comecemos pelo início. Toda a estatura da história começa num soldado em pleno guerra guerra mundial que teve de desistir do seu sonho de correr de novo nos jogos olímpicos para ir combater para o Japão. Conseguem ouvir as vozes daqueles executivos de Hollywood que acham sempre que encontram ouro de forma recorrente n’Os Simpsons? Eu consigo.

Esta história trágica está dividida em três actos tão perfeitamente distintos que se dividíssemos os 130 minutos do filme em três, íamos acertar quase de certeza no início de cada um deles. O primeiro é passado a contextualizar o passado familiar de herança italiana do protagonista, o segundo está perdido em alto mar – literalmente – e o terceiro, não menos óbvio, conta a barbárie sofrida pelo protagonista às mãos de um japonês cruel, enquanto prisioneiro de guerra. Onde é que já vimos isto, não é?

Esta narrativa bocejada torna-se previsível, mas fica uma boa nota para interpretação Jack O’Connel no filme. O actor que dá vida a Louie Zamperini, atleta olímpico, preso de guerra e herói americano, tem o charme e o bom aspecto para simpatizarmos com ele, mas a emoção fica perdida na previsibilidade.

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Uma tentativa de fazer um êxito, que acaba por imitar mais os clássicos de guerra do que criar um por si só. E é uma pena, porque o começo atribulado no cockpit do avião é uma cena bem filmada e que agarra ao ecrã. Infelizmente, o naufrágio da história começa logo a partir daí.

Fica um último reparo positivo para a fotografia deste Unbroken, que em várias momentos consegue respirar um pouco fora da mediocridade em que o filme naufragou.

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