‘Inherent Vice’: as 5 cenas que mais quero ver no cinema 


Inherent Vice (O Vício Intrínseco) é o meu livro favorito de Thomas Pynchon e o meu livro favorito. Parte da minha excitação acerca do filme é ser a primeira vez na minha vida em que o meu livro favorito vai ser adaptado para filme.

Sim, eu sei que se calhar disse a mesma coisa com o Harry Potter há uma década atrás, mas eu nunca li um Harry Potter cinco vezes, em inglês e em português – aliás eu nem vou ao Pottermore, mas estou sempre na PynchonWiki – para saber tudo acerca desta obra literária.

Espero que o meu entusiasmo, assim como as cenas que vos adianto sem spoilers, sirvam para aumentar a vossa expectativa para este que é um dos filmes mais falados do ano.

1 – Quando Shasta Fay Hepworth volta a aparecer

Quem já viu o trailer sabe que o filme começa quando o detective mais pedrado de LA tem de investigar um quadrado amoroso complexo, a pedido da sua ex namorada. Bem, para mim não é fácil explicar o porquê de gostar tanto desta cena em específico, mas é a forma como o autor narra o pôr do sol laranja, que vai desvanecendo enquanto nasce uma aventura de um amor que estava tão murcho, que me parece um paradoxo adorável. E Pynchon tem o cuidado de dizer que Doc ainda nem tinha fumado aqui. Será que a maior pedra é o amor?

2 – O primeiro impacto com Bigfoot Bjornsen

No livro, a primeira vez que Doc se lembra de Bigfoot é quando vê um outdoor seu algures ao longo da Sunset Boulevard. Ora bem, um polícia metediço que também é actor, modelo e celebridade, só podia acontecer em Los Angeles. O casting de Josh Brolin parece-me mais do que adequado à figura deste polícia durão, mas é a sua química com Doc – nomeadamente as piadas acerca do quanto ele e os outros hippies já não pensam devido ao fumo – que me deixa ansioso por rever este personagem no cinema.

3 – O instituto Chryskylodon

Este é o livro mais fácil de Thomas Pynchon. Porquê? Porque momentos giros e divertidos são atiradas ao leitor, ao invés da entropia exagerada que podemos encontrar em V., Arco-Irís da Gravidade e até no Leilão do Lote 49. Este é fácil porque enquanto continuamos completamente à deriva em relação à narrativa, recebemos coisas boas como este instituto. Um monumento pós-modernista que serve de clínica, parece tão adequado à maçonaria como à cientologia, mas é essencial a que a narrativa continue a fluir no sentido oposto do que julgávamos. À Thomas Pynchon.

4 – O casino em Las Vegas

Não seria um filme deste lado do mundo sem uma ida de emergência à cidade do jogo para resolver umas equações necessárias ao desfecho da história. É uma cena tão intensa que os personagens que por lá exploram, até se esquecem das apostas que fizeram, mas de certeza que elas vão voltar até eles. Sobretudo quando são tão estapafúrdias.

5 – O destino do Golden Fang

Um navio que adquire proporções místicas ao longo da obra, para pensarmos se tudo isto foi fruto de uma verdadeira paranóia stoner ou se realmente há grandes segredos depois da pequena camada de sanidade que a nossa sociedade parece ter. Este é um livro sobre o fim de uma era: os anos sessenta em que a obra se passa estavam a acabar e vinha a dúvida do que seriam os setenta. Bastava observar o Pacífico com que a cidade dos anjos nos presenteia e esperar por ele.