Fomos aos Restauradores (tentar) comprar o Charlie Hebdo


Ontem foi um dia atípico para os que em Lisboa, e certamente em todo o país, vendem jornais e revistas. A primeira edição do Charlie Hebdo depois dos atentados terroristas à redacção chegou a Portugal com 500 exemplares. Muitos foram os português que madrugaram à procura de um exemplar e poucos foram os que realmente levaram para casa o tão cobiçado jornal.

Num dos locais mais esperados, na Praça dos Restauradores, por volta das 7h45 já se contabilizavam nove pessoas à porta do estabelecimento que só abriria às 9. Leitores habituais da publicação ou simplesmente curiosos, que admitem até que nunca anteriormente tinham comprado o semanário.

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Vitor Túlio [foto em baixo], proprietário do estabelecimento, resolveu abrir uma hora mais cedo face à enorme afluência de clientes. Recebeu somente 20 exemplares do Hebdo, apesar de no seu livro de reservas contar 173 interessados. “Só as primeiras 20 pessoas da lista vão levar hoje o jornal para casa”,  diz. 
A primeira pessoa [foto de capa] a comprar o semanário francês reservou-o no dia 7 e garante que esperava ansiosamente por este número não só por a edição ser considerada histórica, mas também por – assume – ser fanático por cartoons e em especial pelos do Charlie Hebdo.

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O quiosque na Praça dos Restauradores foi uma excepção devido ao elevado número de exemplares que conseguiu comprar. A maioria dos locais só tinha um ou duas cópias, e claro, já reservados há muito tempo.

No final do dia, os 500 “Charlie Hebdos” que foram postos à venda em Portugal esgotaram, como se esperava. A boa notícia é que quem não conseguiu um terá uma nova oportunidade na próxima semana. Entre segunda e terça-feira, sairá uma reedição deste número, garante a importadora do jornal para Portugal, (INP) International News Portugal.

Descarrega uma versão PDF do Charlie Hebdo.

(texto: Mário Rui André e João Porfírio; fotos: João Porfírio)

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