Estudante usou o Twitter para expôr a hipocrisia dos líderes que desfilaram pelo Charlie Hebdo


O passado domingo ficou marcado pela Marcha Republicana que, assegurou o Ministro do Interior francês à agenda noticiosa Associated Press, levou às ruas de Paris mais de 3,7 milhões de pessoas. Milhões que caminharam lado a lado com os mais de 40 líderes mundiais em defesa da liberdade de expressão e contra o terrorismo expresso no atentado ao jornal satírico Charlie Hebdo, na passada quarta-feira.

Esta foi das maiores manifestações de sempre, sem precedente, e teve o dom de centrar as atenções do mundo durante algumas horas. Mas e se a união de braços destes líderes mundiais não for nada mais do que hipocrisia? O estudante Daniel Wickham na sua conta de Twitter (@DanielWickham93), expôs uma outra perspectiva sobre as atitudes alguns dos chefes de Estado como o Primeiro-Ministro da Turquia, o Ministro dos Negócios Estrangeiros russo e o Procurador-Geral dos EUA. Tal como a organização Reporters Without Borders (RWB), que já tinha condenado as políticas destes líderes chamando-os de “predadores”, este jovem britânico abalou agora a internet com tweets que foram partilhados vezes sem conta.

Em comunicado, o secretário-geral da RWB Christophe Deloire refere que não é contra a solidariedade demonstrada a favor do Charlie Hebdo, mas avisa que o mundo não se pode esquecer dos outros “Charlie’s”. E acrescenta: “seria inaceitável se os representantes destes países que silenciam os jornalistas tirassem vantagem da emoção mundial para tentarem melhorar a imagem externa do seu país”. “Nós não podemos permitir que os predadores da liberdade de imprensa cuspam no túmulo do Charlie Hebdo”, rematou Deloire.

Daniel Wickham, londrino e co-presidente da London School for Economics Middle East Society, mostrou na sua conta de Twitter, em 21 tweets com notícias de cada Estado, a hipocrisia de vários líderes. O lema “practice what you preach” não está, de todo, a ser praticado:

Países como o Egipto, a Rússia, a Turquia ou os Emirados Árabes Unidos – representados na marcha de domingo – surgem nos últimos lugares da lista da organização RWB que classifica os países por liberdade de imprensa: lugar nº 159, 148, 154 e 118, respectivamente, no total de 180 países.

A hipocrisia espalha-se

O estudante não vê hipocrisia só nestes chefes de Estado. Num tweet mais recente, Daniel Wickham dá conta da notícia em que o Hamas (Movimento de Resistência Islâmica, um dos mais fortes movimentos de fundamentalismo islâmico na Palestina) condena o atentado ao jornal francês satírico. “Mais hipocrisia”, analisa o estudante. Por último, Wickham classifica de “apavorante” a falta de atenção dada ao massacre da responsabilidade do Boko Haram, outro movimento de fundamentalismo islâmico com práticas terroristas, na Nigéria, que matou mais de duas mil pessoas. A hipocrisia é geral, não é Daniel?

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