QR Codes, óculos, Twitter e música: os segredos mal-guardados do Snapchat


O Snapchat foi apanhado de surpresa no meio do ataque informático à Sony Pictures. Vários e-mails trocados entre membros das duas empresas apareceram online, revelando negócios que estavam a ser mantidos em segredo.

Sabemos agora que o Snapchat comprou uma start-up de QR Codes (a Scan.me) e uma outra de óculos estilo-Google Glass (a Vergence Labs), que está a criar uma “editora de música”, e que se reuniu no início do ano com o patrão do Twitter, Dick Costolo.

Sabemos ainda que o Facebook não ofereceu 3 mil milhões pelo Snapchat quando o tentou comprar no ano passado. O valor em cima da mesa terá sido muito maior. O jornalista Malcolm Gladwell enviou um e-mail trocado a Michael Lynton, CEO da Sony Entertainment e membro do conselho de administração do Snapchat, perguntando se estava maluco por ter recusado os 3 mil milhões. Lynton respondeu: “se soubesses o número real, irias reservar uma suite no Bellvue”. Gladwell, o jornalista, disse logo: “meu deus, foi MAIS. Incrível”.

snapchatsonyleak_fb

Scan.me

O Snapchat comprou por um total de 50 milhões de dólares (repartidos por dinheiro vivo e por acções) a Scan.me, uma start-up norte-americana que criou o Scan, uma popular app para telemóveis iOS e Android que serve para ler QR Codes. A Scan.me é especializada também em iBeacons, uma tecnologia da Apple que nasceu com a introdução do iOS 7 no ano passado.

Nos e-mails que revelam o negócio, Steve Hwang do Snapchat diz a Michael Lynton que a compra do Scan.me é “super secreta como habitual (não será anunciada publicamente)”:

snapchatsonyleak_scan01

snapchatsonyleak_scan02

Eis o documento que oficializa a aquisição:

snapchatsonyleak_scan03

Vergence Labs

O Snapchat pagou 15 milhões de euros (11 milhões em dinheiro vivo e 4 milhões em acções) para ficar com a Vergence Labs, uma empresa fundada por um estudante da Universidade da Califórnia, Erick Miller, em 2011.

vergencelabs

O principal foco da Vergence Labs são os Epiphany Eyewear, uns óculos com uma câmara de vídeo incorporada que permitem apenas filmar (é possível fazer fotos através das frames dos vídeos). Os óculos têm três modelos e estão os três esgotados: 8 GB de armazenamento interno por 299 dólares, 16 GB por 399 dólares e 32 GB por 499.

Snapchat Music

Em Outubro de 2013, Ari Emanuel, CEO da agência de talentos norte-americana William Morris Endeavor enviou um e-mail a Michael Lynton para falar do Snapchat:

snapchatsonyleak_music01

Na altura, o Snapchat já tinha começado a destacar artistas emergentes, como Guards e Goldroom, nos vídeos em que anuncia novas funcionalidades e que coloca nas apps de todos os utilizadores – entre eles, milhares de adolescentes, isto é, de potenciais fãs. Em alguns casos, o Snapchat colocou inclusive um link para a página do artista na iTunes Store para os utilizadores comprarem a música que ouviram no vídeo.

O CEO do Snapchat, Evan Spiegel, encontrou-se em Junho deste ano com Dennis Kooker, presidente global do negócio digital da Sony Music Entertainment, e disse-lhe que estava interessado em trazer a música para o Snapchat.

Num e-mail dirigido a Michael Lynton, Kooker resume o seu encontro. Escreve que o dono do Snapchat “pensa que todos os serviços de música no mercado são uma merda e que ele quer ser um curador”. No mesmo documento, lê-se que Spiegel não queria construir um serviço de música, mas sim criar uma editora de música para artistas que possam ser promovidos no Snapchat.

snapchatsonyleak_music02

Lynton respondeu e Kooker respondeu de volta. Ambos concordam que o Snapchat deveria apostar na promoção de música:

snapchatsonyleak_music03

snapchatsonyleak_music04

Mais tarde, em Agosto, o “Snapchat Music” parecia ganhar forma. Manny Adler, filho do Lou Adler, produtor e dono do famoso Roxy Theater, começou a ir aos escritórios do Snapchat para “falar de música e encontrar formas de a integrar no Snapchat”:

snapchatsonyleak_music05

Desconhecemos o fecho relativamente a este caso do “Snapchat Music”. O último email data de Novembro e é Spiegel a tentar encontrar-se com L.A. Reid, CEO da Epic Records, uma divisão da Sony Music Entertainment

snapchatsonyleak_music06

Paralelamente, o Snapchat tentou uma parceria com a Vevo, para integrar os seus videoclipes na app. As negociações parece ter caído depois de o presidente da Vevo, Rio Caraeff, ter rejeitado os 40% exigidos por Spiegel:

snapchatsonyleak_music07

Todavia, não é certo que a Vevo e o Snapchat não continuem a falar. Podem ter acontecido desenvolvimentos deste este e-mail.

Twitter

Em Janeiro de 2014, o CEO do Twitter, Dick Costolo, encontrou-se com Evan Spiegel para discutir algumas ”grandes ideias” para trabalhar com o Snapchat:

snapchatsonyleak_twitter

Até agora não há frutos públicos de qualquer relação do Twitter com o Snapchat.

Certo é que conhecemos agora alguns dos planos de futuro do Snapchat. Alguns deles, como os óculos da Vergence Labs deixam-nos particularmente entusiasmados a pensar no que poderá a empresa estar a preparar. Interessante será também ver o que a empresa de Evan Spiegel fará com o Scan.me e que desenvolvimentos existirão na área da música.

O Shifter é gratuito e sempre será. Mas, se gostas do que fazemos, podes dar aqui o teu contributo.