Os 10 álbuns de 2014


É impossível não chegar ao fim do ano sem olhar para trás para relembrar todas as descobertas musicais que fizemos, todas as músicas novas que descobrimos e que nos marcaram, de uma maneira ou de outra, e todos os bons álbuns que tivemos a oportunidade de ouvir pela primeira vez. Ao longo destes doze meses, foram muitas a bandas que nos passaram a acompanhar diariamente, muitas as descobertas que nos levaram a conhecer ainda mais música nova e a criarmos ligações com ainda mais artistas.

E a verdade é que, olhando para trás, percebemos que há álbuns que, por qualquer razão, nos marcaram mais do que os outros. Depois de relevarmos quais os 10 álbuns nacionais que mais ouvimos em 2014, a lista que se segue apresenta os álbuns internacionais que a equipa do Shifter mais ouviu e quer partilhar, dez álbuns merecedores de destaque no meio de todas as coisas que foram feitas neste último ano.

 

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Aphex Twin – Syro

2014 marcou o regresso de Aphex Twin com o longa-duração Syro. Apelidado pelo próprio como o álbum “mais pop” de entre as dezenas que tem guardados em casa ainda à espera de serem lançados, Syro está repleto de complexas batidas electrónicas, acampanhadas de synths caseiros e a ocasional voz do filho. Um dos discos mais importantes do ano, num muito esperado regresso em força de Richard David James.

 

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Cloud Nothings – Here And Nowhere Else

Here And Nowhere Else nunca esteve numa posição fácil. O quarto longa-duração da banda de Cleveland foi o sucessor de Attack On Memory, o muito aclamado álbum que lançou a banda para os olhos do mundo e que foi considerado por muitos um dos melhores discos de 2012. No entanto, bastam 20 segundos de “I’m Not Part Of Me”, o primeiro single, para perceber que dificilmente vamos sair desiludidos. E ouvir o resto do álbum só serve para o confirmar. A garra juvenil de Dylan Baldi continua presente ao longo das oito musicas que compõem o disco, mas a escrita e a composição estão mais adultas e coesas, mantendo a agressividade e o som de assinatura da banda. Não sendo um álbum icónico como foi o anterior, Here And Nowhere Else confirma o estatuto dos Cloud Nothings como um dos mais interessantes projectos punk dos últimos tempos.

 

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FKA Twigs – LP1

A miúda de Gloucestershire conseguiu chegar e trazer com ela não só um grande primeiro álbum como também uma personagem que agradou a muitos que, subitamente, viram nela um novo ídolo. A personalidade vincada contrasta com a voz algo adocicada, sendo que tudo isto veio (felizmente) anexado a uma musicalidade fresca, capaz de nos fazer sentir que estamos perante algo diferente de que até agora pudemos ouvir.

 

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Flying Lotus – You’re Dead!

Se descobrirem o Flying Lotus na FlyLo FM – estação de rádio de que é anfitrião – no videojogo GTA V vão reparar na sua assinatura sónica: ritmos alucinados auxiliados por uma pletora de instrumentos diferentes e é natural que fiquem curiosos e queiram descobrir o que criou antes de You’re Dead. As temáticas como o cosmos – Cosmogramma (2011) – e o subconsciente – Until the Quiet Comes (2013) – deixavam boas referências para um disco sobre a morte. Com temas muito sérios e outros muito descontraídos, é o mais próximo que o Jazz já esteve da electrónica, do hip hop e da banalidade nunca banal que é a morte. Há muito para descobrir neste disco que só podia ter sido feito por Flying Lotus.

 

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Future Islands – Singles

Singles é a prova de como uma editora pode mudar uma banda e o seu som. Depois de assinarem pela 4AD, os Future Islands passaram de trintões desconhecidos (com três discos falhados pelo caminho) a fenómeno da internet, mas não sem que tivessem 10 bons argumentos em forma de canção prontos a esfregar na cara dos mais céticos. Um álbum que vai de “Seasons” a “ A Dream For You And Me” sem desmaiar uma única vez pelo caminho só podia estar nesta lista. Que venha o 5º do crooner Sam Herring e companhia.

 

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Mac Demarco – Salad Days

Se 2 nos deu sinais de que DeMarco podia vir a ser um dos músicos da década, Salad Days confirmou-o com uma certeza indubitável. É humanamente impossível resistir à ternura de “Let My Baby Stay” ou de “Blue Boy” (as suas fãs não me deixam mentir). A voz doce de Mac cola-se aos nossos corações como um vestido justo se cola a uma concorrente da Casa Dos Segredos – até hoje, o disco andou sempre em repeat por estes lados. Mas engane-se quem julga que este álbum é só para corações moles. “Salad Days” e “Chamber Of Reflection”, canções mergulhadas em ondas de chorus e reverb, mandam-nos ao tapete em três segundos se estivermos num dia mau. Das letras às guitarras e voz, está tudo lá. Que venham as novas malhas.

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Modern Baseball – You’re Gonna Miss It All

Os Modern Baseball são uma das principais bandas da cena punk e emo de Filadélfia. As doze músicas de You’re Gonna Miss It All são uma celebração obrigatória da juventude e da adolescência que, tal como indica o título, tantas saudades vão deixar . Ao longo do álbum, a escrita começa ingénua e infantil mas evolui para canções mais sérias e de introspecção. “Pothole” é o fim perfeito de um álbum que nos deixa com água na boca para aquilo que Jake Ewald, Brendan Lukens e companhia farão a seguir.

 

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Real Estate – Atlas

Ao terceiro álbum, encontramos uns Real Estate mais adultos, mais coesos e mais certos do que querem fazer. Atlas está repleto de boas canções que, mais do que isso, são peças de um álbum que resultou na perfeição. A sonoridade do álbum, com batidas simples e fluídas e guitarras carregadas de reverb, ajuda a transportar quem o ouve para os ambientes descontraídos que as canções pretendem pintar – e que valem tanto a pena conhecer.

 

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Run the Jewels – Run the Jewels 2

O Hip-Hop não costuma esbracejar tanto como em Run The Jewels e 2014 assistiu a mais um álbum cheio de energia e de músicas ainda mais arrojadas que no primeiro disco. A dupla composta por Killer Mike e El-P viaja ao longo de um álbum que começa aos disparos e que não dá descanso ao flow descoberto no primeiro Run The Jewels. Versos articulados e a produção mais abrangente de El-P levam-nos nesta viagem pelo underground mais bruto de nova iorque, desejando com muita força apanhar esta caixinha de pandora musical ao vivo.

 

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War On Drugs – Lost In The Dream

Depois de uma carreira que se estende ao longo de três álbuns, os War on Drugs acertaram na tecla hit. Ou terá sido na tecla clássico? Depois de um ano de estúdio em que o vocalista Adam Granduciel levou o seu perfeccionismo um passo mais além, o resultado está aí para ser ouvido e aplaudido. Com o psicadélico a ecoar em faixas muito americana, este Lost in the Dream está cheio de temas rendilhados – verdadeiros protagonistas do disco. Cada uma destas músicas vai do emocional ao épico e é a forma como evoluem que deixa os ouvintes encantados. Um grande disco rock, em que pequenos detalhes fazem grandes canções.