‘La Plaie’


A presença cada vez mais ameaçadora das gaivotas no Porto. É este o mote de La Plaie (A Praga), o documentário que marcou o terceiro dia do Porto/Post/Doc, o festival de cinema documental e do real, na Invicta.

Exibida no emblemático cinema Passos Manuel, a inquietante película francesa falada em português, rodada em 2013, procura explorar a problemática do crescente número de gaivotas que desde sempre invadiu a cidade portuense.

Realizado pelos franceses Jeremy Perrin e Hélène Robert, este destaca-se como o único dos 50 filmes do festival gravado no Porto, onde podemos ver planos realizados na Ribeira, no bairro de Miragaia, na rotunda da Boavista, na Avenida dos Aliados e até mesmo à porta da sala onde o documentário foi apresentado às 19h00 do passado sábado, dia 13, aparecendo por diversas vezes a fachada do Coliseu e do cinema Passos Manuel.

Foi precisamente pelas ruelas de Miragaia que muitas das histórias populares, que fornecem ao documentário uma narrativa ficcional – por muitas vezes não se distinguir o verdadeiro do falso – foram contadas na primeira pessoa. Por exemplo, os habitantes mais antigos do bairro confidenciaram que, antigamente, as gaivotas eram um petisco bastante apreciado por aquelas paragens. Esta e a história da Rita, uma gaivota praticamente de estimação, foram alguns dos contos aprofundados n’A Praga que arrancaram risos de um público atento e curioso presente na sala, constituído pelas mais variadas idades.

Assim, num autêntico universo hitchcockiano, pela voz do portuense José Roseira, são narrados os medos e as fantasias despertados pela agressiva presença das gaivotas no Porto, em constante disputa pelo seu território. Mitos e rumores que nos evocam uma ideia universal: a interminável luta entre humanos e animais igualmente abordada no documentário inserido nas categorias “sessões especiais” e “cinema falado” do festival de cinema internacional, através dos inconvenientes desta “praga” das gaivotas que nidificam em todo o canto da cidade.

O interessante filme que, com a sua complexidade, consegue ainda referir questões como a desertificação do centro histórico do Porto, leva os espectadores a adoptar um ponto de vista totalmente novo em relação a estas aves que “nos encaram de frente, olhando-nos nos olhos” e convida a reflectir sobre o verdadeiro lugar destas que, no final de contas, pertencem ao mar e não à cidade.

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