Google+ era para ter tido outro nome


Google Me. Era para ter sido este o nome do Google+ se Kevin Rose, co-fundador do Digg, não tivesse metido o pé na poça. Estávamos em Junho de 2010 quando um tweet de Kevin disse aquilo que não era para ser dito: a Google estava a trabalhar numa rede social chamada Google Me para competir com o Facebook.

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Dado o leak de Kevin, a Google viu-se obrigada a mudar a designação da rede social que só viria a lançar no ano seguinte, em Junho de 2011, e que internamente era conhecida por Emerald Sea. Google+ foi, como todos sabemos, o nome escolhido, um nome que não parece ter tido o voto de Chris Messina, o criador da hashtag e um ex-funcionário do projecto que trabalhou no desenvolvimento inicial do projecto como UX designer.

Num post no Medium, Chris diz que adorava o nome Google Me “não só por ser um bom nome”, mas também por dizer aquilo que a rede social permitiria: just google me and I’ll be there. De acordo com o ex-funcionário, o Google Me foi primeiramente pensado para tornar a pesquisa (Google Search) “mais personalizada e humana”. Como? Criando uma plataforma social transversal a toda a Google, na qual cada utilizador tem um perfil com a sua informação pessoal, os seus interesses e os seus relacionamentos. “Queremos tornar o Google melhor ao incluir a ti, os teus interesses e os teus relacionamentos”, disse a empresa na apresentação do Google+ em 2011.

No fundo, a Google queria roubar ao Facebook o monopólio que, na altura, este estava a criar no que toca à identidade online — e que, entretanto, parece ter conseguido criar. Porque mais do que uma rede social, o Facebook é uma espécie de gaveta online onde estão os BIs de milhões e milhões de pessoas. O Facebook sabe exactamente quem usa a Internet e passa essa informação os anunciantes para estes segmentarem as suas campanhas.

O Google+ falhou principalmente neste objectivo. Todavia, conforme notou Chris, o nome Google+ salvaguarda a história da Google. Depois de tantos projectos falhados, como o Google Wave ou o Google Buzz, o Google+ não ficará registado como mais um falhanço. A Google pode livrar-se do sinal “+” e contar a história que o Google+ foi sempre o Google, mas melhor, e que tudo o que ele trouxe foi agora dissolvido no Google já existente.

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