Como planear a Passagem de Ano em 3 semanas

Tens uma boa hipótese? Sabes! Onde? Não, não sei onde é. Casa de quem?

10 DEZ – “Malta, e a passagem de ano? Bora lá organizar.”

11 DEZ – “Estou, puto? Ya, temos de pensar. Mas amanhã tenho um teste, logo se vê disso.”

12 DEZ – [Pesquisar casas em Sesimbra pela madrugada fora]; [Faltar ao teste].

13 DEZ – “Malta, criei este grupo para darem sugestões sobre a Passagem de Ano”.

14 DEZ – “Malta, eliminei os últimos posts. O grupo chama-se “Reveillon dos [inserir nome do grupo baseado numa private joke]”,  não se chama “Universitárias com book fotográfico impossíveis de convidar” e acredito que não vamos chegar a grandes conclusões com comentários como “Já a vi a mamar um gajo no Lux”, “Shotgun” ou “Bom teto”.

15 DEZ – “Puto, liguei para a casa de Sesimbra. Está ocupada.”

16 DEZ – “Puto, liguei para a casa da Praia Grande. Está ocupada.”

17 DEZ – “Puto, liguei para os anos noventa. Eles querem as camisas de flanela de volta. Foda-se. Lumbersexual? Não faças a barba em 2015, não. Deixa-te andar.”

18 DEZ – “Olha, logo se vê. Pensem num plano alternativo.”

19 DEZ – “Nunca pensem sequer em considerar o Terreiro do Paço.”

20 DEZ – “Em minha casa? Pá, pode ser.”

21 DEZ – “Estou, mãe? Acho que fui drogado. Os meus amigos garantem que afirmei que a Passagem de Ano podia ser em nossa casa. Explica-lhes como estás desejosa de ter um adolescente a dormir no teu roupeiro. [pôr em alta voz]”

22 DEZ – “Olá quase ex-amigo, sei que nem nos demos muito durante este ano, mas vou-te perguntar onde vais passar o ano no sentido de me colar desavergonhadamente, já que não tenho planos. Como dizes? Não acredito. Nunca pensei que fosses para o Terreiro do Paço. ”

23 DEZ – “Amanhã é Natal. Vou-me concentrar em espalhar amor pelos entes queridos e deixar de pensar nas minhas próprias bebedeiras.”

24 DEZ – “Sim, tio, não tem problema. Já sou crescido demais para prendas de Natal, a sério. Diga? O meu NIB? Pronto, se insiste. Diga-me uma coisa, acha que bate antes de dia 31?”

25 DEZ – [Inserir encontro com amigos pós-almoço para definir de uma vez por todas o plano para dia 31, que evoluí para incrível bebedeira à noite quando deverias estar a estudar para os exames e que acaba com a conclusão de que torraste metade do orçamento para a PDA]

26 DEZ – “Não, mãe, ainda não sei onde vou passar. Não, não era uma ideia gira ir convosco ao Restaurante-“O”-“Javali”-com-bebida-a-discrição-de-que-não-posso-usufruir-javardamente / casa-dos-avós-eles-ficavam-contentes / Casino-Lisboa-a-ouvir-Paulo-Gonzo.

27 DEZ – “Está a ficar apertado. Nunca estive tão perto do Terreiro do Paço.”

28 DEZ – “Mãe, pelo sim, pelo não, diz à avó para comprar Champomy.”

29 DEZ – “Tens uma boa hipótese? Sabes! Onde? Não, não sei onde é. Casa de quem? Não, não sou amigo. Quem vai? Não conheço. Não conheço. Não conheço. Não conheço. Não conheço. Conheço, mas está classificada como “Pessoa que seria embaraçoso abraçar para desejar bom ano”. Esquece.”

30 DEZ – “Estamos na merda. Que se lixe, vamos ter de alinhar. Mente aberta. À 1h já vou estar em coma. Amanhã tratamos da bebida e arrancamos.

31 DEZ – “Foda-se, como é que ninguém se lembra de que hoje o Continente fecha às 7?”

1 JAN – “Nunca pensei que fosse tão difícil apanhar um táxi no Terreiro do Paço.”