Cymatics: a arte de representar sons visualmente


O músico e compositor Nigel Stanford decidiu criar uma música e um vídeo capazes de demostrar a beleza da representação visual do som. Juntamente com Shahir Daud, realizador, produziram um dos videos mais interessantes no que diz respeito a este assunto.

Em português, cimática é o estudo da representação física dos sons – quase como uma sinestesia. Como podemos ver no vídeo, foram usadas 7 experiências para ilustrar a forma do som através da música.

Chladni Plate

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Ernest Chladni “catalogou” uma série de padrões obtidos ao friccionar um arco de violino num prato de metal coberto de areia. Esta experiência de Chladni já teria sido verificada por Robert Hooke em 1680, mas apenas foi formalmente apresentada por Chladni em 1787. A experiência mostra os padrões apresentados pelo prato de metal quando atinge um som ressonante, concentrando os grãos de areia nos nós criados pelas vibrações.

Hose Pipe

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Esta representação do som tem, na realidade, um truque associado. Quando o som é emitido pela coluna a água que corre na mangueira parece congelar e deixar de correr. Na verdade não é isso que acontece. Simplesmente, a frequência com que o som está a ser emitido pela coluna corresponde à frequência que está a ser utilizada pela maquina de filmar. Assim, em cada frame do video a mangueira parece não se ter mexido, quando na verdade completou uma vibração. Vibração essa muito bem definida, denominada sinusoidal.

Speaker Dish

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A representação do som em líquidos é a mais comum. Todos nós já vimos líquidos num copo com ondas concêntricas provocadas por uma coluna de som. Aqui, o fenómeno é exactamente o mesmo. Os sons produzidos pelo sintetizador tocado por Nigel têm frequências especificas para formarem aquelas formas no prato cheio de vodka gelado. Mais uma vez, o efeito do liquido parecer congelado com o som deve-se ao facto da frequência do som ser a mesma da captação da imagem.

Ferro Fluid

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Os Ferrofluidos são compostos por partículas nanoscópicas (sim, ainda mais pequenas que microscópicas!) magnéticas suspensas num liquido viscoso. Estes fluidos têm a particularidade de reagir aos campos magnéticos, criando formas absolutamente deslumbrantes. No video, existem 3 ímans ligados ao teclado de Nigel que são ligados e desligados consoante as notas que são tocadas, criando assim o efeito de eco no fluido negro.

Ruben’s Tube

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Esta é provavelmente a parte mais perigosa de todo o video. Usar gás (propano) e fogo é uma mistura explosiva (pun intended).

Colocando gás dentro de um tubo com furos no topo, fechado numa ponta e com uma membrana noutra (que será vibrada através de uma coluna de som), cria um efeito fantástico quando o gás é aceso e o som tocado. Com base na frequência das notas, a disposição do gás dentro do tubo altera, criando zonas com grandes concentrações de gás e zonas com poucas.
Se reparem, no video, nesta experiência a imagem está em câmera lenta. No entanto o comportamento das chamas está sincronizado com o som da música. Isto acontece porque a música foi tocada 4 vezes mais rápida para que, quando fosse “desacelerada” na edição, tudo batesse certo.

Tesla Coil

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Este dispositivo – enigmático, no mínimo – cria arcos de electricidade provocados por descargas energéticas provenientes da electricidade estática. O fato usado por Nigel é um Fato de Faraday – que é feito de um material altamente condutor, que reveste o corpo todo de Nigel protegendo-o das descargas eléctricas. Na parte final do video podemos ver um arco a atingir Nigel no peito, a atravessar o fato todo e a sair pela base dos seus pés em direcção ao chão.

Se ainda não satisfizeste a tua curiosidade, podes ainda ver os videos do making-of aqui. Para uma explicação da evolução da cimática recomendamos esta TED Talk.

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