Uma tarde de Outono no Lisboa Open House


Não estava frio, mas a chuva não temeu em aparecer. Entre os ventos fortes e o dilúvio, o Shifter resolveu visitar alguns dos espaços oferecidos pelo Lisboa Open House 2014.

Casa da Severa

Foi uma tarde de domingo, dia 12 de Outubro, e começámos pela Casa da Severa na Mouraria. Este pequeno edifício nasceu de um plano de intervenção e reabilitação da Mouraria organizado pela Câmara Municipal de Lisboa. Ficou definido que seria uma cafetaria mas mais tarde, quem deteve a concessão, tornou-o numa casa de fados.

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A casa está situada no largo com o mesmo nome – Largo da Severa – que outrora era um parque de estacionamento. Hoje, e graças ao plano arquitectónico de José Adrião – arquitecto responsável pela obra – o largo é um espaço comunitário com bancos de jardim e acesso directo ao Castelo de São Jorge. Curiosamente, este edifício é o único isolado em toda a malha lisboeta. Isto é, o “prédio” é um bloco isolado, passível de ser circundado a pé.

A Mouraria foi sem dúvida um bairro fechado à cidade, de onde remontam as histórias dos mouros e mais tarde dos problemas sociais.
No entanto, a Casa da Severa é hoje espaço dos calorosos encontros do fado, dos turistas, e dos lisboetas de coração.

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A Severa

“Nesta casa viveu Maria Severa Onofriana
Considerada na época a expressão sublime do fado
Faleceu em 30-11-1846 com 26 anos de idade”
Lisboa 3-6-89

Um mito, uma fadista, um ícone português. Maria Severa Onofriana é homenageada nesta casa pela sua história. Conta-se que era de uma beleza inigualável, mulher de vários amantes e mulher do fado. Faleceu bastante jovem, vítima de tuberculose num miserável bordel na rua do Capelão. Consta que foi sepultada numa vala comum no cemitério do Alto S.João. “Morro, sem nunca ter vivido”.

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O plano arquitectónico

Antes de ser restaurado, este edifício era um prédio de dois andares + cave com um total de 7 habitações. José Adrião decidiu dar dinamismo e vivacidade ao seu trabalho pelo que colocou as partes técnicas (cozinha, lixo e casa de banho) no espaço inferior. No primeiro piso aumentou a cubicagem permitindo uma sala de cafetaria com cerca de 7 metros de altura. Assim, é hoje possível visualizar filmes projectados na parede do bar. A casa da Severa conta ainda com um elevador para todos aqueles com acessibilidade reduzida, umas escadas largas que não entram em discordância com o largo no exterior e uma varanda que nas noites quentes de verão serve de palco para os fadistas e músicos.

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As paredes têm painéis acústicos, o pavimento é português, as janelas são mais amplas e luminosas.

Para finalizar, José Adrião, que nos deu honra de dar a conhecer todo este projecto, explicou que pelo facto da Casa da Severa não ter sido inicialmente idealizada como uma casa de fados, apenas o piso inferior tem uma cor que apela ao pathos: o vermelho. Antagonicamente, todo o espaço da cafetaria é bastante luminoso e branco pelo que é sem dúvida um espaço diferente e inovador para se ouvir fado. José Adrião pode ter encontrado uma nova tipologia de casas de fado, quiçá.

Altis Belém Hotel & SPA

O Altis Belém Hotel & Spa é um hotel de design em Lisboa de 5 estrelas, localizado em Belém junto ao Rio Tejo. Tem um conceito único e basilar, sob o qual assenta toda a arquitetura de interiores e respectivos painéis gráficos: os Descobrimentos.

Outrora um armazém da Marinha, o Hotel foi inserido no plano de reabilitação do Porto de Lisboa. Dos seus 4 pisos, distingue-se no piso -1 um Spa&Massagem premiado e de assinatura única em Portugal. No piso Terra avista-se o espaço ao público, a Doca, o Bar e o Restaurante Feitoria.

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Espaço público

Luminoso e com janelas de colta alta, o Altis Belém Hotel & Spa vive de uma imensidão de luz e cortes perfeitos que jogam em perfeita sintonia com as madeiras exóticas dos continentes explorados. É contemporâneo, reveste-se de preto e branco e as vistas são consideradas uma mais valia para todos aqueles que usufruem deste espaço.
Existe uma exposição com alguns elementos que remetem para o tempo das Descobertas Portuguesas, a cafetaria tem o nome de Mensagem e o Bar 38º41’, é intitulado com as coordenadas onde se situa. No tecto da recepção, existe um painel dos Céus do Sul que relembra as viagens marítimas e enaltece mais uma vez a coragem de quem se aventurou no mar.

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Restaurante Feitoria

Galardoado com uma estrela Michelin, o Restaurante Feitoria recebe-nos com a recriação de um Biombo pertencente ao Museu de Arte Antiga de Lisboa. A luz foi mais uma vez estudada ao pormenor, pelos chefs de cozinha que lá trabalham. É uma luz difusa, que não evidencia nenhum ingrediente em específico do prato. Já os candeeiros relembram os metais preciosos trazidos das colónias portuguesas.

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Os quartos

45 quartos e 5 suites. Todas elas inigualáveis por aspectos pensados ao detalhe. Cada quarto representa um país ou uma localização geográfica relativa aos Descobrimentos. Todas as camas estão viradas para o rio, o que torna a disposição da mobília diferente em cada pequena habitação. As paredes são ainda ilustradas por painéis exclusivos, únicos e irrepetíveis em cada quarto. Em termos de estilo cromático, a exclusividade mantém-se: em nenhum quarto é repetido o mesmo pantone e as casas de banho variam entre a luminosidade total ao máxim do preto contemporâneo.

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As janelas poderão assustar os mais introvertidos, uma vez que dão a sensação de invasão de privacidade total. Na verdade, consistem em grandes blocos de vidro, do chão ao tecto, com um meio mecânico de proteção bastante claro. Contudo, o que convém saber de antemão, é que de facto os hóspedes tem uma vista bastante privilegiada para o lado de fora, mas o mesmo não acontece de fora para dentro.

É de salientar ainda que todas as toalhas e roupas dos funcionários foram desenhadas exclusivamente para este Hotel de Luxo que prima pelo belo fio condutor que une cada detalhe.

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Infelizmente foi impossível realizar um trajecto com mais visitas pela incompatibilidade de horários e pela forte afluência de visitantes a cada espaço. Conseguimos espreitar apenas o CCB, ainda que sem qualquer visita guiada.

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