Plutão é um planeta, sim ou não?


Quando em 2006 a União Astronómica Internacional (UAI) decidiu retirar a Plutão o seu estatuto de planeta e passá-lo meramente a Planeta Anão, muitas foram as vozes que se opuseram à decisão.

O argumento de que Plutão é demasiado pequeno, e que, por isso, não tem uma força gravitacional suficiente para ser considerado planeta, gerou uma considerável onda de contestação no seio da comunidade astronómica, que viu a “despromoção” como arbitrária e sem fundamento. Tal como o Centro Harvard-Smithsonian referiu em comunicado na altura, “uma árvore de fruto anã continua a ser uma árvore de fruto, tal como um hamster anão continua a ser um hamster”.

No entanto, eis que 8 anos depois surgem boas notícias para os defensores mais acérrimos do marginalizado astro. O Centro Harvard-Smithsonian decidiu organizar um debate de prós e contras sobre a controversa definição de Plutão, que terminou com uma votação entre os membros do público. O resultado do exercício foi esclarecedor – segundo a plateia, Plutão é um planeta.

O debate centrou-se em torno das condições que a UAI impõe para a atribuição do grau de planeta:

  1. Estar em órbita à volta do Sol;
  2. Ter uma forma redonda ou quase redonda;
  3. Ser gravitacionalmente dominante na sua respectiva área;

É aqui que se encontra o principal problema. Com um diâmetro total de 2 300 km, Plutão é inquestionavelmente pequeno. O seu raio de 750 milhas representa apenas 20% do raio da Terra, e o seu tamanho chega a ser menor do que o satélite do nosso planeta, a Lua. As suas proporções reduzidas têm um efeito directo na força gravitacional que gera, sendo este o principal argumento de especialistas como Gareth Williams, que defendeu no debate o ponto de vista da UAI – Plutão não é um planeta.

Do outro lado da barricada, foi Dimitar Sasselov, director da Iniciativa Origens da Vida de Harvard, que deu a cara pela reintrodução de Plutão na sua categoria original de planeta. Entre inúmeras observações, Sasselov defendeu uma nova definição de planeta que não excluísse automaticamente os “exo planetas” (aqueles que se encontram para além do nosso sistema solar).

Segundo Sasselov, um planeta deve ser definido como “o mais pequeno e esférico aglomerado de matéria que se formou em redor de estrelas ou restos estrelares”, o que além de abrir múltiplas hipóteses no campo da astronomia, significaria o regresso de Plutão à condição de planeta.

Ainda que o debate não tenha tido quaisquer consequências directas na denominação oficial de planeta, o facto da proposta de Sasselov ter obtido uma reacção deveras positiva por parte do público presente faz com que a questão volte a estar em cima da mesa. Assim, e ainda que esteja apenas numa fase embrionária, está aberto o processo para que Plutão, o planeta-anão, possa voltar a ser Plutão, o planeta.