Para quando um novo Manifesto Anti-Dantas?


Dizem que a juventude produz pouco. Pudera, grande parte dela está no desemprego ou já sentada no avião que voa para bem longe daqui.

Não creio que isto seja desculpa, do estrangeiro também se produz. E afinal, foi o nosso primeiro ministro que disse que emigrar até era boa ideia, visto que o degredo vai continuar e quando voltamos lá de fora temos muito mais “valor”. É do degredo que trata este Oráculo, escrito por um português perdido no actual rumo da nação. O mínimo que espero é que pelo menos inspire alguma contestação com pinta.

Vamos por pontos. A justiça já deu o que tinha a dar. Bem, na verdade não sei se alguma vez foi uma instituição rápida e isenta, mas o que está a acontecer – o colapso cibernético do Citius – é um tema triste demais para não ser endereçado nesta rubrica. Como esperam viver numa nação sem regras? Não dá vontade de escrever um manifesto?

Face à falta de justiça resta-nos a boa educação. Qual? Aquela que tem professores, mas cuja burocracia é de uma incompetência tal que não os consegue colocar? Um professor nos Açores recebe 105 colocações num dia por bug do sistema? Depois do Citius continuamos a brincar aos computadores? O manifesto pode perfeitamente ser digital e tinha o dobro da piada.

Não deixa de ser caricato que o ministro criticasse tudo e todos antes de lá estar e agora ser tão bom no que faz como aquele rei que achou que era boa ideia conquistar Marrocos. Se eras um gajo com moral para falar mal, eu posso chamar-te retardado neste texto e não me sentir mal com isso. Concordo com Nuno Camarneiro quando diz que qualquer dia “só estudando no estrangeiro se pode ser português”. Esta teoria quase escreve um manifesto por si só.

O seguinte? A economia. Oh, a economia. O Económico está em guerra com a União Europeia, trocam até galhardetes e insultos. Dizem que a UE já tinha apadrinhado a decisão de dividir o BES em dois, duas semanas antes da famosa decisão domingueira? E a solução é um novo banco cujo branding assenta no nome Novo Banco? E a RTP faz uma reportagem em que o Ricardo Salgado parece um homem bom, apenas traído? Ricardo Salgado, pim. União europeia, pim. A nossa economia, boom.

E a política? Um desconsolo acima de todos os outros desconsolos. A Tecnoforma é o primeiro dente podre no sorriso amarelo do primeiro ministro. Se calhar o manifesto são as caras cinzentas e os portugueses com fome e não é preciso escrever nada.

Peço desde já desculpa a todos os leitores pela carga negativa que o Oráculo de hoje carrega, mas este é o único lugar em que vos posso pedir para darem o vosso melhor na elaboração do novo manifesto Anti Dantas. A nossa geração tem direito a exigir mais e melhor. E é bom que a geração anterior se porte melhor se nos quer exigir alguma coisa.

Afinal, “PORTUGAL INTEIRO HA-DE ABRIR OS OLHOS UM DIA – SE É QUE A SUA CEGUEIRA NÃO É INCURÁVEL E ENTÃO GRITARÁ COMMIGO, A MEU LADO, A NECESSIDADE QUE PORTUGAL TEM DE SER QUALQUER COISA DE ASSEIADO!”

 

Previsões do Oráculo #7

  • A corrupção saudável – quiçá caciquismo – parece ser um problema crónicos dos países latinos. Certamente vai continuar.
  • O tráfego de estupefacientes está a quantidades de distância do tráfego de influências.
  • A festa continuará a acontecer nos bastidores da nação.
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