Los Waves – ‘This Is Los Waves So What?’


À primeira vista, This Is Los Waves So What? parece-nos logo familiar. A capa evoca-nos o ambiente indie rock dos anos 00’s – das guitarras distorcidas e despreocupadas, dos all stars e dos blusões de ganga – e o título lembra-nos álbuns como What Did You Expect From The Vaccines? ou Who The Fuck Are Arctic Monkeys?.

À primeira audição, as músicas trazem-nos uma certa nostalgia, dos tempos onde as aventuras experimentais e electrónicas ainda não eram tão recorrentes, e os acordes rasgados e os riffs simples e viciantes davam espaço a melodias de voz pop e alegres, assumindo-se como pontas de lança da música independente da altura. Infelizmente, rapidamente percebemos que este disco pouco mais do que isso tem para oferecer.

Comecemos pelo início: “Hyperflowers”, a faixa de abertura, soa às nossas expectativas – criadas por “Darling” e “Strange Kind Of Love”, os dois primeiros singles – e oferece-nos quatro minutos pop e uma melodia a evocar Coldplay que rapidamente passam por nós, pela facilidade com que absorvemos tudo o que estamos a ouvir. Avançamos pelo disco e as músicas continuam a passar por nós sem darmos por elas. Não que não soem bem, não que não sirvam para nos entreter, mas porque pouco mais há por explorar.

A produção lo-fi pode dar ao disco um ambiente interessante, mas a composição, na maior parte das vezes, revela-se preguiçosa e não chega para dar às músicas os pormenores que seriam capazes de nos chamar a atenção nem para dar ao resto força suficiente de forma a que não seja preciso mais nada. “Jupiter Blues” cria um ambiente interessante, ao qual a voz pouco tem para oferecer, mas morre num instrumental conduzido por teclados, quase a entrar no território psicadélico, que pouco demora a tornar-se aborrecido e que soa a pouco trabalhado.

É preciso ouvirmos “Modern Velvet” e “Got A Feeling” para ficarmos com a sensação de que este álbum poderia ter sido totalmente diferente se a atenção ao detalhe estivesse tão presente em todas as músicas como está nestas duas. “Darling”, o óbvio primeiro single, destaca-se por deixar todos os pontos negativos do disco para trás com uma melodia refrescante que faz muito bem o seu trabalho. “Golden Maps” soa a Klaxons e mostra que Londres, onde José Tornada e Jorge Da Fonseca formaram a banda – à qual Bruno Santos se juntou mais tarde –, tem uma influência muito forte neste disco. “Strange Kind Of Love” lembra The Strokes e, mais uma vez, traz-nos a nostalgia dos êxitos de outros tempos.

E This Is Los Waves And So What? tem tudo a ver com nostalgia. Percorrê-lo traz-nos à memória singles e riffs que já não ouvíamos há demasiado tempo, e isso é das únicas coisas boas que estas músicas têm para oferecer. Não é um disco mau, mas é um disco que pouco traz de novo. E isso, felizmente, não combina com o que temos ouvido por cá.