LEGO corta relações com a Shell depois de campanha da Greenpeace


A culpa é de um dos vídeos mais virais de sempre da Greenpeace. Contra os planos da Shell para explorar o Ártico, o grupo activista organizou uma campanha contra a LEGO e a parceria entre as duas companhias. Depois de meses de pressão, a organização mundial teve sucesso.

Em Julho, a Greenpeace partilhou um vídeo no YouTube onde os protagonistas são mais de 120 kg de peças LEGO que, no decorrer de uma música melancólica, ficam submersas numa piscina de petróleo. No fim pode ler-se: “a Shell está a poluir a imaginação das nossas crianças”. E um apelo: “digam à LEGO para acabar a sua parceria com a Shell”.

A intenção da campanha não podia ser mais clara. Apesar do seu sucesso, a LEGO ainda resistiu, mas Jørgen Vig Knudstorp, o chefe-executivo da marca acabou por admitir que não vão renovar o contrato com a Shell quando o actual terminar. Ainda assim e depois de muita pressão, Knudstorp continua a defender que o assunto devia ter sido tratado entre a Greenpeace e a Shell e que a LEGO nunca devia ter-se tornado parte desta disputa.

O diretor executivo da Greenpeace no Reino Unido disse esperar que a decisão tomada pela LEGO leve outras organizações a pensar duas vezes as suas parcerias com a Shell. A Greenpeace orgulha-se da campanha, pensada para “destruir uma parceria que desde o seu início tem pouco sentido”. Defendem que uma marca criada para crianças é incompatível com outra que destrói natureza e animais para subsistir.

A Shell acabou por também se pronunciar sobre a campanha. Um porta-voz garantiu que a empresa respeita que existam pontos de vista diferentes e pediu apenas que estes sejam expressos de forma lícita.

Depois de, em Janeiro, a Shell ter desistido de procurar petróleo no Ártico, em Agosto voltou a apresentar um plano com esse propósito onde mostra a intenção de explorar uma zona ao largo da costa noroeste do Alasca em 2015.

A parceria da LEGO com a companhia remonta aos anos 60 e envolve a venda de bonecos Shell em bombas de gasolina de mais de 26 países. A empresa dinamarquesa de brinquedos orgulha-se das suas credenciais verdes, desde a distinção por eficiência energética ao uso de energias renováveis, e afirma que está à procura de alternativas para o petróleo bruto a partir do qual actualmente faz as suas peças.