Arte num estacionamento subterrâneo de Lisboa


Uma garagem subterrânea nas Amoreiras, oito street artists portugueses. Pantónio, Gonçalo Mar, Pedro Zamith, Smile, Maria Passô, Zana Moraes, Mariana Dias Coutinho e Edis One aceitaram o desafio do Edge Arts e deram uma nova vida às paredes cinzentas e tristes do estacionamento do Espaço Amoreiras, em Lisboa.

Esta iniciativa surgiu da vontade do Edge Arts dar a conhecer a arte urbana e em simultâneo promover artistas nacionais, sendo este um dos pilares da sua atividade. As propostas apresentadas foram selecionadas por um júri composto por membros da administração e gestão do Espaço Amoreiras, do The Edge Group, do Edge Arts e pela artista convidada, Mariana Dias Coutinho.

Com este projeto propõe-se requalificar o parque de estacionamento, mantendo as suas caraterísticas essenciais, mas criando um ambiente de diversidade. O tema foi livre, dando assim liberdade criativa total aos artitas envolvidos.

O resultado são obras que se exibem e que atravessam universos bem distintos, desde as intervenções a graffiti de Gonçalo MAR, SMILE e Edis One, passando pela linguagem singular de Mariana Dias Coutinho, Pantónio e Pedro Zamith e pela revelação do trabalho de artistas emergentes, como Maria Passô e Zana Moraes. A Underdogs associou-se ao projeto, realizando a curadoria de uma parede, cujo artista é revelado durante a inauguração.

Pedro Zamith

“Todas as cidades cosmopolitas têm parques de estacionamento. Em todos eles passam centenas de pessoas diariamente. Uma espécie de submundo, ninguém se conhece e apenas entre e sai em silêncio. Pessoas com histórias, mas que naquele local de passagem rápida, parecem todos iguais com os fatos de macaco e a máscara de gás para que ninguém se possa sentir identificado. Os parques de estacionamento são isso mesmo: um local de passagem rápida, com meia-luz, silencioso e poluído. Todos os transeuntes parecem iguais, até ao dia em que um começa a tentar arrancar a máscara e a querer respirar o ar poluído como se não houvesse amanhã…”

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Gonçalo Mar

“Chegamos sempre ao sítio onde nos esperam” – José Saramago

“Esta expressão faz-me pensar o parque de estacionamento enquanto local de encontros e desencontros nesta nossa atarefada agenda. Visualmente, represento dois corredores pegados um ao outro de forma a construir um ciclo que se repete, sem nunca avistarmos um fim. A mensagem que invoco, assumindo a verdadeira beleza plástica das cores em sintonia, propõe pensar que o tempo é um resumo das coisas às quais vamos dando prioridade. Na realidade, é dar tempo ao tempo e sentir que chegamos sempre ao mesmo sítio que nos esperam.”

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Pantónio

A intervenção de Pantónio é representativa da linguagem singular do artista, marcada pela repetição de padrões – realizados e negativo e em linha – dos quais emergem figuras a correr, com uma forte carga emocional. O movimento, a intensidade e a volumetria são traços únicos da sua pintura, onde utiliza geralmente o mesmo código de cores (negro, azul, branco e amarelo).

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Zana Moraes

Esta peça faz parte de uma série sobre “Habitantes dos Cumes Altos”, designação atribuída pela artista a criaturas das montanhas. Com esta figura, Zana Moraes procura trazer um elemento da natureza para dentro de um parque de estacionamento urbano e subterrâneo.

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Mariana Dias Coutinho

“O meu imaginário (às vezes onírico), com cenas de fácil reconhecimento, timeframes, explora as peculiaridades das personagens grotescas, reveladas através da sua disposição e respectiva interacção, induzindo o espectador a uma reflexão existencialista sobre o universo feminino. A apropriação do amarelo presente na barra de segurança, por ser uma cor inspiradora e que desperta a criatividade, acentua e simboliza a noção de luz, calor e prosperidade, contrastando com as características intrínsecas do local (parque de estacionamento) onde está inserida.”

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Ivo Smile

“(…) criar um espaço em que és só passo, que a passo e passo se torna caminho. Um espaço em passo, num passo esparso que se vê. Sozinho. Anda. Sem medo do fim, porque a meta que se promete é o mesmo sítio de onde partiste inicialmente (…)” – José Anjos

“Cito este excerto do poema ‘Veículo Usado’ de José Anjos pela associação destas palavras com a pintura representada. No fundo, o que pretendi nesta pintura foi marcar mais um passo no meu caminho que o faço sozinho. Não sei qual será o seu fim, mas o que sei é que quero percorrê-lo, nem que para isso tenha que voltar ao início.”

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Edis One

Nesta proposta, Edis One procura envolver a sua pintura com o local. Para tal, o artista relaciona e desenvolve um conjunto de factores, como a ideia de diversão, segurança, cor e movimento, que são inerentes ao local de intervenção e respectivos clientes que o frequentam, diariamente. O carro pintado é enquadrado com uma peça de lettering, linguagem própria dos graffitis.

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Maria Passô

Duas poltronas numa sala que, outrora, fora das mais confortáveis salas que aquela mulher conhecera. Agora, só um cadeirão vazio acompanhado de um outro onde se encontra esta figura, parcialmente nua que com uma mão agarra a fotografia do seu desaparecido amado, e com a outra reclama as saudades que dele sente. Um recanto onde já se sentem as nostalgias entranhadas nas paredes. Uma obra provocadora que, no entanto, representa apenas as carências e a vulnerabilidade de uma mulher deixada, de um amor à distância, de um silêncio entre os dois.

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Underdogs

A Galeria Underdogs participou na curadoria do Art Parking com uma pintura mural executada por Dwelle. Jovem artista e ilustrador, com formação em design gráfico, membro do colectivo Boardbrothers, dá aqui vida a uma intervenção inspirada “nas pinturas dos guerreiros das tribos africanas”, mesclando “a forma das máscaras tribais africanas” repletas de simbologia vária, cores e outros elementos visuais.

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