Aparentemente existe trabalho para Joe, mas não para José


José Zamora é um homem de 32 anos de origem mexicana que durante muito tempo teve dificuldade em arranjar trabalho nos Estados Unidos. Mas segundo o próprio afirmou, não era a sua experiência de vendedor ou o seu nível de capacidade em lidar com pessoas que tornavam o seu curriculum menos apelativo a possíveis empregadores: o problema estava no seu nome.

Num vídeo publicado pelo BuzzFeed no YouTube no final de Agosto, José fala da sua experiência e das dificuldades em arranjar trabalho, e de como a mais ligeira alteração ao seu nome fez com que chovessem ofertas de emprego. Em apenas uma semana, as mesmas posições a que se tinha candidatado enquanto José estavam subitamente disponíveis para Joe.

O mesmo curriculum, a mesma experiência de trabalho. Só mudou uma letra no nome. E perdeu um acento.

José Zamora contou ao BuzzFeed que a maioria dos empregos disponíveis pedem para que o curriculum seja enviado e raramente chamam pessoas para entrevistas, daí que a preparação e apresentação cuidadas deste instrumento seja fulcral.

Como José diz, consciente ou inconscientemente, toda a gente acaba por fazer julgamentos, mesmo que seja só através do nome de outra pessoa.

Entre 2000 e 2002 um estudo publicado pelo Poverty Action Lab mostrou que os currículos provenientes de pessoas com nomes “tipicamente caucasianos” recebiam aproximadamente mais 50% de respostas positivas de possíveis empregadores. Nos Estados Unidos a discriminação no trabalho, de qualquer tipo, em cargos federais e governamentais é ilegal, embora o sector privado não esteja directamente abrangido pela Constituição.

Em Portugal, situações de discriminação pela parte de uma entidade empregadora são também punidas por lei. No site da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE) é possível encontrar todas as informações sobre igualdade no acesso ao emprego, condições de trabalho, instrumentos de regulamentação e legislação aplicável em vigor sobre este tópico.