Uber “impedida” de operar na Alemanha


Desde que surgiu em 2009 com alternativas às pesadas tarifas dos táxis que a startup Uber tem apresentado uma expansão impressionante, valendo mais de 13,4 mil milhões de euros e arregalando os olhos tanto dos seus investidores como da concorrência.

Protestos de quem trabalha no sector de transportes privado são imediatamente sentidos em todas as cidades onde inicia operações. Mas nada parece travar o crescimento da cada vez mais internacional empresa norte-americana. Nem mesmo a ordem de um tribunal.

No final da semana passada, os serviços da Uber foram proibidos na Alemanha depois do tribunal de Frankfurt ter decretado ilegal aquele sistema de transporte privado de passageiros. A decisão do tribunal veio no seguimento das várias queixas de sindicados de taxistas alemães que acusam a empresa norte-americana de fazer concorrência desleal. O processo legal foi iniciado pela empresa Taxi Deutchland Servicegesellschaft.

A Uber opera maioritariamente através de uma app que liga passageiros aos motoristas privados na sua área, oferecendo tarifas muito apelativas e métodos de pagamento virtuais. As associações de taxistas alegam que os motoristas associados à companhia não possuem todas as licenças necessárias para fazer o transporte de passageiros.

Há algumas semanas, a Uber foi forçada a cessar temporariamente actividade nas cidades de Berlim e Hamburgo por alegações de que os seus motoristas e veículos não cumpririam os regulamentos necessários para garantir a segurança dos passageiros.

Agora, depois de uma curta audiência, o tribunal de Frankfurt ordenou a interrupção de alguns serviços da startup milionária, impondo coimas que poderão chegar aos 250 mil euros por corrida e penas de prisão até seis meses para os seus empregados locais no caso da ocorrência de quaisquer violações da injunção, de acordo com o site TechCrunch.

“Não se pode parar o progresso”

Apesar das pesadas multas e do risco da prisão dos seus funcionários, a Uber parece considerar as consequências de interromper as suas operações na Alemanha muito mais assustadoras : “Não se pode parar o progresso”, disse um representante da companhia, segundo o jornal The Guardian. “A Uber continuará a disponibilizar o serviço de boleias UberPop através da aplicação na Alemanha”.

Dito e feito. Com os seus bolsos fundos e promessas de combate contra quaisquer acções legais iniciadas contra si, a Uber continua a funcionar naquele país europeu. A startup já tinha experienciado um crescimento acentuado desde que entrou para o mercado de transportes alemão, mas desde terça-feira, altura em que a notícia da decisão do tribunal começou a circular, tem registado um aumento exponencial de novos clientes.

‘‘Este tipo de apoio público reforça simplesmente o nosso investimento na Alemanha enquanto nos preparamos para expandir para cada vez mais cidades neste país”, disse Fabien Nestmann, porta-voz da Uber, ao blog do jornal New York Times.

Os motoristas, não sendo funcionários da empresa, não estarão, para já, sujeitos a quaisquer penalidades. Além disso, os parâmetros do serviço UberBlack, o qual existe em Lisboa e usa veículos de luxo e chauffeurs, continuam dentro dos termos legais, pelo que essa opção poderá continuar em funcionamento. O problema parece ser apenas com o serviço low-cost UberPop, que permite encontrar boleias a preços muito baixos.

Mesmo esta ultima opção, talvez por ser a preferida dos utilizadores alemães da app, não deixará de estar disponível, pelo menos não até a empresa sedeada em São Francisco esgotar todas as opções legais ou secar as suas fontes monetárias.

A Uber opera com biliões em dinheiro do Goldman Sachs e da Google, encobre-se com uma imagem de startup e vende-se como uma nova salvadora da economia”, declarou o presidente da Taxi Deutchland Servicegesellchaft, Dieter Schlenker.

Downloads da app disparam quase 600%

Vende e muito bem: a Uber revelou esta quarta-feira que o número de downloads da app para iOS tem vindo a aumentar desde que a polémica se instalou, registando aumentos como 228% em Frankfurt, 270% em Berlim e 590% em Hamburgo.

Talvez, feitas as contas no final, a Uber ainda consiga lucrar com a situação mesmo depois de todas as despesas legais e do pagamento das multas e cauções referentes ao caso.