O ‘não’ ganhou na Escócia, mas continuamos alarmados


Amigos! Portugal poderá nunca mais ser o mesmo! Apesar da derrota do Sim à independência na Escócia, os movimentos independentistas ganham cada vez mais relevância. E se surgissem, com sucesso, regiões de Portugal a querer sair de casa dos pais?

Seria granda piçada.

Açores

Em 2014, os Açores tornam-se independentes. Para os separatistas, a missão mais complexa terá sido convencer o exigente eleitorado maioritário de vacas. O seu líder é Pedro Pauleta, o Dom Sebastião dos pontas-de-lança portugueses. Inicialmente, embargam a exportação de manteiga para o continente, levando à penosa falência da Padaria Portuguesa. À falta de campos de concentração, os revoltosos asseguram que qualquer activista anti-independência é cozido nas furnas.

Margem Sul

Em 2014, a Margem Sul torna-se independente. No Avante 14’, um grupo de jovens sonha com uma Margem Sul independente e comunista. Imediatamente alteram o nome da Ponte 25 de Abril para Ponte Rui Unas. Granjeiam o apoio militar do Brasil, em troca da cedência da Costa da Caparica. Instalam checkpoints à entrada da Margem Sul para verificar os carros, só deixam passar Saxo Cups. Por muito que legítima, não deixou de ser uma luta terrorista: piratas de cacilheiros, rockets de choco frito, mitras no Fertagus a bombar kuduro através do Nokia X-Press Music.

Restelo

Em 2014, o Restelo torna-se independente. No Referendo, ganha o “Óbvio”. Portugal rejeita. Inicia-se uma revolta. Os skinheads nacionalistas do Restelo reúnem-se clandestinamente no Careca. Reclamam não só o território que habitam, mas também colónias em Vila Nova de Milfontes, Praia Grande e Católica Lisbon. Exigem uma república com três nomes (República de Pedrouços e Restello). Contestam a esfera armilar e substituem-na por uma bola de rugby. Conseguem a autonomia. Os responsáveis pela independência não serão lembrados como os pais da nação, mas os tios. Marcham gloriosamente do S. Francisco Xavier até à Torre de Belém, sem muito barulho, que as Paéz têm sola mole.

Lux Frágil

Em 2014, o Lux Frágil torna-se independente. Um dos argumentos mais fortes a favor da independência é o diferente fuso horário: os habitantes do Lux deitam-se oito horas mais tarde. O hino nacional é em techno. Abriga refugiados do Cais do Sodré, dando prioridade às mulheres e mandando as crianças para o Urban. Nação extremamente tolerante com a homossexualidade, irreversivelmente intolerante com os mitras. Inicialmente supera a crise, o Lux apresenta sempre consumo mínimo. Mas o país entra em recessão da noite para o dia: desaparece a elite com espírito crítico para dar lugar a uma horda de homens dispostos a matar por um táxi Retalis e mulheres capazes de se prostituir por uma pita shoarma.

Casa dos Segredos

Em 2014, a Casa dos Segredos torna-se independente. No dia da declaração da independência, 105 000 candidatam-se a fazer parte deste novo país. Anteriormente tinha ocorrido um referendo, mas o voto custava 60 cêntimos + IVA. A frase que marca a independência da Casa dos Segredos é “Não sei, não me lembro. Devia ter ido mais as aulas e menos ao ginecologista. Desculpa, Voz.” A Casa torna-se no primeiro país a fazer questão de revelar os seus segredos de Estado, “Mantenho uma lista de todas as pessoas a quem já forneci armas de destruição maciça”, “Já mamei num soldado do Exército Islâmico”, “Acho o Putin um filha da puta”.